O INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL – QUASE UM SÉCULO DE HISTÓRIA CONSTRUÍDA

 

Texto: Vera França e Leite, DSc Arquitetura e Urbansimo

 

O passado não passa por completo, aquilo que ocorre no presente nada mais é do que uma ressonância continua de uma série de tempos que se reproduzem em camadas. Assim, o resgate do ocorrido no passado significa abrir espaço a uma multiplicidade de tempos, de tal modo que o novo possa emergir.

Walter Benjamin

Anos 1920 – O prenúncio de uma revolução

Após o término da I Guerra Mundial (1914-1918) e, com expressiva ênfase ao longo dos anos 1920, o Brasil conviveu com sucessivas crises e movimentos armados, que refletiam o inconformismo e politização dos setores jovens das forças armadas, traduzido pelo movimento tenentista, os descontentamentos e reivindicações operárias e dos setores médios da sociedade, o agravamento dos antagonismos no interior das classes dominantes, tendo ainda como pano de fundo o período de recessão do sistema  capitalista mundial, que desencadeou a Grande Depressão de 1929.

Assim, as lutas políticas travadas no Brasil, a partir do início da década de 1920, estão relacionadas, por um lado, à necessidade da construção de um sistema cultural e político-institucional que expressasse às exigências da civilização urbano-industrial em formação, por outro aos acontecimentos ocorridos em âmbito internacional.

Nesse contexto, e um ano após a realização do I Congresso Pan-Americano de Arquitetos, em Montevidéu, a cidade do Rio de Janeiro presenciava a fundação do Instituto Brasileiro de Arquitetos.

Tudo começou em 1921, precisamente às 16 horas do dia 26 de janeiro, na sala de Teoria e História da Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, então capital da República. O que se sabe, é que 27 engenheiros-arquitetos, reunidos há 99 anos, criaram o Instituto Brasileiro de Arquitetos, elegendo na ocasião, o engenheiro-arquiteto Gastão da Cunha Bahiana, como seu primeiro presidente.

A crescente agitação política, acompanhada das inovadoras concepções nas artes plásticas, na literatura, na música e na arquitetura, inaugurou um período de expressiva ebulição criativa, que dá lugar à fundação do Instituto Brasileiro de Arquitetos (1921), abre as portas para a realização da Semana de Arte Moderna (1922), à divulgação do Manifesto Modernista de Warchavchik (1925), ao posterior Movimento Antropofágico (1928), e à criação do Partido Comunista do Brasil (1922), em Niterói. O significado dessas iniciativas e manifestações transcendeu àqueles poucos dias. Sua influência nos comportamentos e costumes urbanos se faz notar até os dias de hoje.

Se nos primeiros anos de atividades, a recém-criada entidade dos arquitetos dedicou-se à elaboração de uma tabela de honorários, à organização da campanha pela realização de concursos públicos de Arquitetura e à divulgação da importância do papel de seus profissionais na produção do espaço habitado no Brasil, abrigou também divergências e acalorados debates, em meados de 1921, o que conduziu à cisão do grupo fundador e à formação de um organismo paralelo – a Sociedade Central de Arquitetos, presidida por Adolfo Morales de los Rios.

Essa dualidade de associações não perdurou por muito tempo, e as duas entidades fundiram-se em 1924, durante a presidência de Fernando Nereo de Sampaio, sob a denominação de Instituto Central de Arquitetos, consolidando a unidade conquistada.

Presidentes fundadores:

Gastão Bahiana (1921 a 1924)

Adolfo Morales de Los Rios (1921 a 1924)

Fernando Nereo de Sampaio (1924 a 1928)

Cypriano Lemos (1928 a 1929)

Adolfo Morales de los Rios Filho (1929 a 1930)

Nestor Egydio de Figueiredo (1930 a 1932)

Angelo Bruhns (1932 a 1933)

Roberto Magno de Carvalho (1933 a 1934)

Augusto Vasconcellos Junior (1934 a 1936)

Nestor Egydio de Figueiredo (1936 a 1943)

Anos 1930 – a Revolução de Trinta, o Neocolonial versus o Moderno

A crise do sistema capitalista em escala mundial, evidenciada pela Depressão Econômica de 1929, atingiu também em cheio a economia brasileira, muito dependente das exportações de um único produto, o café, criando entraves à sua exportação. Mas, além de gerar dificuldades econômicas, a quebra da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, provocou uma mudança de rumo no poder político do país, acelerando o processo de rompimento institucional, que conduziu à Revolução de Trinta, à Decretação do Estado de Sítio, à deposição do presidente Washington Luís, e ao fim da República Velha. 

Paralelamente, ainda em 1929, preparava-se o IV Congresso Pan-Americano de Arquitetos, a se realizar no ano seguinte no Rio de Janeiro, cujo tema central de debates abordava os antagonismos entre duas correntes da arquitetura – o neocolonial e o moderno.

No polêmico embate entre essas duas correntes, o Instituto conclamava a categoria dos arquitetos a assumir os novos postulados da arquitetura moderna, além de se empenhar pela Reforma de Ensino de Arquitetura na ENBA, liderada por Lúcio Costa e com amplo apoio dos estudantes, encabeçados pelo Diretório Acadêmico. São também desta época a ampliação das discussões sobre a formação e o exercício profissional do arquiteto, a consolidação da instituição frente aos associados, ao poder público e a sociedade, as iniciativas visando à regulamentação profissional e a reforma estatutária da entidade, que cria então, em 1934, o Instituto de Arquitetos do Brasil, denominação que perdura até os dias de hoje.

Anos 1940 – A Ditadura Vargas, o I Congresso Brasileiro de Arquitetos e a Federalização do IAB

 Fase em que o IAB passa a relacionar explicitamente a prática profissional com as questões políticas mais abrangentes, então vivenciadas no país. Manifesta-se abertamente pelo fim da ditadura Vargas (1937-1945), pela libertação dos presos políticos, por uma anistia geral, e pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, a de 1946. No plano das atividades internas, surgem os primeiros departamentos estaduais, em 1943 – São Paulo e Minas Gerais, dando início à estrutura federativa do IAB.

Coube ao departamento de São Paulo sediar e organizar, em 1945, o I Congresso Brasileiro de Arquitetos.

Cabe salientar que, nesse período, e por intermédio das suas Comissões de Estudos sobre Urbanismo, o IAB já preconizava que a questão da moradia só poderia ser equacionada satisfatoriamente, mediante a inclusão dos equipamentos e serviços a ela correlatos.

Anos 1950 – Rumo à Nova Capital

 O III Congresso Brasileiro de Arquitetos, realizado em Belo Horizonte/MG, em julho de 1953, coincidindo com a gestão de JK no governo do estado de Minas Gerais, veria a se converter em futuras parcerias, quando da eleição de JK à presidência da república (1955). Dentre as teses e documentos discutidos nessa ocasião, sobressaiu-se o relatório de viagens de estudos no exterior, apresentado pelo ex-presidente do IAB, Nestor Egydio Figueiredo (1936-1943), que informava a importância dedicada à organização das cidades e aos alojamentos de suas populações, nos países visitados, instituindo com o propósito de equacioná-los, ministérios especializados, denominados Ministério de Habitação e Urbanismo.  O tema amplamente debatido, mas não esgotado no III Congresso, foi incluído na pauta de discussões e deliberações do IV Congresso Brasileiro de Arquitetos (São Paulo, 1954).

Tendo como pano de fundo a gestão de Juscelino Kubitschek e seu Plano de Metas (1955-1960), o Instituto se envolve diretamente na estruturação do polêmico concurso para a elaboração do Plano Piloto da Nova Capital, organizado pela NOVACAP, em parceria com o IAB.  A construção de Brasília era a meta-síntese do Plano JK.

Em nível interno, a entidade discute a reformulação da regulação profissional e consolida a sua estrutura federativa, criando, em 1957, o Conselho Superior, integrado por representantes de todos os departamentos e ex-presidentes, com a atribuição de traçar a política nacional do Instituto e eleger a Diretoria Nacional.

Anos 1960, Inauguração de Brasília e as Eleições Presidenciais

Em abril de 1960, Brasília é inaugurada.

O IAB encaminha aos candidatos às eleições presidenciais daquele mesmo ano (Jânio Quadros, Henrique Teixeira Lott e Adhemar de Barros), documento com base nas resoluções do IV Congresso Brasileiro de Arquitetos (São Paulo, 1954), em que propõe questões relativas à moradia e ao planejamento urbano e a instituição do Conselho Nacional de Habitação e Planejamento Territorial, vinculado a um ministério específico para trato da matéria. O governo meteórico de Jânio Quadros (janeiro de 1961 a agosto de 1961), acatando, porém, a orientação da Aliança para o Progresso, criou o Instituto Brasileiro de Habitação e o Conselho Federal da Habitação, desconsiderando a articulação entre a moradia e desenvolvimento urbano, como assim propusera a entidade dos arquitetos.

Na ocasião, o IAB, em editorial da Revista Arquitetura, denunciou a falácia da proposta, alertando as autoridades, a categoria e a sociedade para o fato que a política habitacional não poderia se restringir a construção de unidades isoladas destinadas à venda.

1963 – O Seminário de Habitação e Reforma Urbana (SHRU)

A renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, antes mesmo de completar sete meses de gestão, ao frustrar as ambições das forças conservadoras comprometidas com o capital internacional, desencadeou uma crise política com o objetivo de impedir, a qualquer custo, a posse do vice-presidente legitimamente eleito, João Goulart, considerado por seus opositores como herdeiro do populismo nacionalista de Getúlio Vargas e de pensamento de viés “esquerdista”.

Contornada temporariamente a crise, por intermédio da aprovação da Emenda Constitucional, que adotava o parlamentarismo, reduzindo os poderes presidenciais, João Goulart assume a Presidência da República, em setembro de 1961, tendo como primeiro- ministro Tancredo Neves. No entanto, o Congresso Nacional pressionado pelas bases governistas, fiéis a Goulart, antecipa o plesbicito, previsto na Emenda Constitucional para 1965, e restitui ao país o regime presidencialista de governo, o que produziria efeitos substantivos sobre as políticas públicas, em particular as relativas sobre a questão urbana e da moradia. 

Quando convocado pelo Executivo Federal, no contexto das Reformas de Base, a contribuir para o equacionamento da crise habitacional e urbana que se agravava, o IAB, com a realização do Seminário de Habitação e Reforma Urbana (SHRU), em parceria com o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPASE), trouxe à cena teses sobre a concepção de moradia digna, que iam além da construção pura e simples de quatro paredes e um telhado para solucionar déficits. Ampliava sua dimensão, relacionando-a a organização do território e ao planejamento urbano. A assertividade do conjunto de recomendações do SHRU fez com que o Executivo federal assimilasse suas resoluções e propostas e as incorporasse à política de governo. Porém, em virtude da ruptura institucional de abril 1964, o regime então instaurado, além de inviabilizar a recém-nascida bandeira da Reforma Urbana, impediu a apreciação, pelo Congresso Nacional, de projeto de lei do Executivo sobre a matéria.

 1964 – O Golpe de 64, o IAB e o BNH

 Deposto o presidente João Goulart, os novos ocupantes do poder não tardaram a ostentar o viés autoritário, tecnocrático e centralizador do seu projeto para o país. A articulação civil-militar, vitoriosa em 1º de abril de 1964, tratou de imediato de excluir do cenário político os setores populares, a sociedade civil organizada e suas respectivas lideranças, operacionalizada pela ostensiva repressão aos sindicatos, entidades estudantis, associações profissionais e demais organismos representativos da sociedade. Buscando neutralizar os setores dissidentes e vozes dissonantes, promoveu a cassação de mandatos eletivos, a suspensão de direitos políticos por dez anos, a extinção dos partidos políticos, instituindo o bipartidarismo. No que se refere ao manejo das questões sociais e respectivas políticas públicas, medidas foram adotadas, reduzindo-as a questões técnicas a serem resolvidas no âmbito restrito dos gabinetes.

Criado o Banco Nacional de Habitação (BNH), o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU), o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e as Sociedades de Crédito Imobiliário, em 21 de agosto de 1964, muito embora o Instituto visse com restrições e ressalvas os rumos da política habitacional empreendida, fez gestões junto ao presidente da república, Marechal Humberto Castelo Branco e ao seu ministro do Planejamento Roberto Campos, colocando-se a disposição para colaborar com seus trabalhos e estudos, visando contribuir para o aperfeiçoamento e direcionamento das propostas. Os diversos documentos elaborados, os seminários e encontros nacionais realizados, levam a constatar que relação tensa entre o IAB e o BNH arrastou-se em idas e vindas, sem muito sucesso, em que pese à tenacidade e insistência do IAB em se fazer ouvir.

1968 – o AI-5 e o endurecimento do Regime Militar

 Mal havia completado um ano de mandato, o segundo presidente militar, general Artur da Costa e Silva, se viu diante de sucessivas greves e protestos estudantis, iniciados em janeiro de 1968, atingindo o seu ápice em 28 de março, em virtude da invasão do restaurante universitário do Calabouço, no Rio de Janeiro, onde os estudantes protestavam contra a elevação do preço das refeições. Essa invasão resultou na morte do secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, atingido por um tiro à queima roupa, disparado pelo comandante da PM.

Este fato ao gerar comoção nacional, fez com que se multiplicassem manifestações urbanas, dentre elas a Passeata dos Cem Mil, organizada pelo movimento estudantil, em junho do mesmo ano, também no Rio de Janeiro, contando com a participação de políticos, artistas, intelectuais e amplos setores da sociedade brasileira, o que intensificou e ampliou o aparato repressivo, de forma ostensiva, por todo território nacional.

Por outro lado, o discurso proferido pelo deputado Marcio Moreira Alves (MBD/GB) na tribuna da Câmara dos Deputados, no qual fazia severas criticas ao regime e a conduta das forças armadas, serviu de mote para a decretação do Ato lnstitucional nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, acompanhado do Ato Complementar nº 38, que fecha o Congresso Nacional por tempo indeterminado.

No mesmo 1968, Revista Arquitetura, publicação mensal do IAB de abrangência nacional, deixava de circular.

Apesar dos acontecimentos, o IAB ainda assim convocou para outubro de 1969 a realização do VIII Congresso Brasileiro de Arquitetos, organizado pelo Departamento do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, cujo tema central a ser analisado e debatido se referia As potencialidades do arquiteto frente ao desenvolvimento da sociedade atual, a ser apreciado por três grupos de estudo.

A partir de então, o IAB só voltaria a convocar novo congresso, sete anos depois, em 1976.

Anos 1970 – Momentos de Introspecção

 Na primeira metade dos anos 1970, o Instituto, voltado para si mesmo, dedicou-se ao intenso trabalho de reorganização e reestruturação interna, coincidindo com a escalada da repressão política dos chamados Anos de Chumbo. Esta atitude não pode ser considerada como uma omissão diante dos fatos, mas, sim um sinal de ponderação e cautela, buscando garantir a sobrevivência de seu ideário, em épocas bastante adversas. É desse período a criação, pelo IAB, dos Sindicatos de Arquitetos e da Associação Brasileira de Escolas de Arquitetura (ABEA), assim denominada à época.

 1976 – O IX Congresso Brasileiro de Arquitetos

Realizado em São Paulo, em 1976, é fato marcante e divisor de águas. Reunindo no Ibirapuera cerca de seis mil arquitetos e estudantes de arquitetura, o IAB saía da postura de resistência propositiva e, retomava o caminho do posicionamento político ostensivo e crítico, que sempre pautou sua conduta desde os idos 1943, quando se manifestou abertamente pelo fim da ditadura Vargas e pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, a de 1946.

1977 – A Plataforma Política da Direção Nacional do IAB

 Eleita para o biênio 1977-79, a nova diretoria nacional do IAB enfatizava, em sua plataforma, uma atuação política mais explicita da entidade dos arquitetos, a articulação com outras organizações profissionais, culturais e da comunidade, preservada a sua independência, com o propósito de encontrar caminhos que conduzissem à melhoria da qualidade da vida urbana, à preservação da herança cultural do povo brasileiro, à preservação do ambiente natural.

Dentre as frentes priorizadas pelo IAB-DN, a campanha pela criação de um orgão próprio de fiscalização do exercício profissional ganhou força e objetividade, constituindo-se em tema central e catalizador dos debates no X Congresso Brasileiro de Arquitetos, realizado em Brasília em outubro de 1979.

Anos 1980 – o IAB faz 60 anos

 O IAB engajado no conjunto de lutas pela redemocratização do país, e com assento institucional no Comité Brasileiro pela Anistia (CBA), amadurecido em tempos adversos, inicia os anos 1980 com nova direção nacional, desta vez sediada no Rio de Janeiro.

Em continuidade ao esforço de resgate da memória do IAB, iniciado na segunda metade dos anos 1970, com a publicação do livro O IAB e a Política Habitacional de autoria do arquiteto João Ricardo Serran, e por decisão da reunião do COSU de Olinda (julho de 1980) a iniciativa evoluiu, adquirindo clareza e precisão, consubstanciando-se na elaboração do Projeto Memória, que encarregava a Direção Nacional do IAB de desenvolver atividade sistemática, visando recuperar, não apenas a memória do IAB, mas da própria arquitetura brasileira.

Ainda no início dos anos 1980, o IAB rompia relações formais com o BNH, retirando a sua representação junto a Comissão Mista Permanente sobre Política Habitacional, por considerá-la improdutiva. Esse diálogo só viria a ser retomado em 1985, no alvorecer da Nova República, mediante a participação oficial do Instituto junto ao Grupo de Trabalho de Reformulação do Sistema Financeiro da Habitação (GTR/SFH).

Em virtude das comemorações dos 60 anos do IAB, a serem realizadas, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1981, o IAB-DN, em parceria ativa com o IAB-RJ, organizou e promoveu uma série de atividades, que se estenderam de 23 a 30 de janeiro de 1981, abrangendo a Reunião Ordinária do Conselho Superior, Reunião do Conselho da ABEA, a Premiação Anual dos Arquitetos, além dos debates sobre o papel da atividade profissional dos arquitetos na vida produtiva nacional. Na mesma ocasião, realizou-se a Sessão Solene dos 60 anos da entidade, na sala de Teoria e História da Arquitetura do Museu de Belas Artes, onde foi fundado o IAB, quando então foi descerrada placa comemorativa, com a presença de todos os ex-presidentes da entidade, especialmente convidados para a ocasião.

Encerrando essa sequência de atividades, prolongadas sete dias consecutivos, o IAB convidou a população carioca a dançar, sob os Arcos da Lapa, ao som da Orquestra Tabajara de Severino Araújo.

Ainda no mesmo ano, o IAB, em parceria com a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura (ABEA) e a Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), dava inicio aos preparativos para o Encontro Nacional de Arquitetos, Professores e Estudantes de Arquitetura, que ocorreria em Goiânia, em outubro de 1981. Esse encontro retomava uma prática desenvolvida nos anos 1950, quando os arquitetos, professores e estudantes se reuniam para debater o aperfeiçoamento de ensino de arquitetura, tendo em vista os novos caminhos da profissão. Também nessa oportunidade, voltam à tona as discussões, iniciadas em 1976 e ampliadas no X Congresso Brasileiro de Arquitetos, realizado em Brasília em 1979, sobre a criação de um conselho próprio de fiscalização e regulamentação do exercício profissional.

1982 – O XI Congresso Brasileiro de Arquitetos

 Convocado para realizar-se em Salvador, em 1982, com o tema A Gestão Democrática da Cidade, o congresso contou com a participação do sociólogo e professor Manuel Castells, que proferiu palestra e ministrou curso sobre a crise urbana e os movimentos sociais de bairro, analisando sua experiência com as associações de vizinhos de Madri.

1983 – O IAB e o Projeto de Lei de Desenvolvimento Urbano

Com grande repercussão nacional, o texto do Projeto de Lei 775/83, de autoria do Executivo federal, ao ser divulgado pela imprensa suscitou manifestações contra e a favor, provenientes de vários setores da sociedade. Em meio a acirrados antagonismos, o IAB promoveu debates nas principais capitais do país. Apesar de apontar para o atraso temporal do projeto, o IAB reconhecia a importância e assertividade dos conteúdos da proposta, ofereceu elementos para o seu aprimoramento, ressaltando, ainda, que muitos dos dispositivos do projeto vinham ao encontro das suas teses, defendidas desde o Seminário do Quitandinha (SHRU), em 1963.

 1985 – O IAB na Nova República

Criado em março de 1985, nos primeiros dias do governo José Sarney, o Ministério de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente veio ao encontro das teses a muito defendidas pelo IAB. Para compor o quadro técnico do MDU foram convidados a arquiteta Marlene Fernandes para chefiar a Secretaria Executiva de Política Habitacional e Urbana, o arquiteto João Ricardo Serran como Secretário Adjunto, integrando também a equipe os arquitetos Mauricio Nogueira Batista e Almir Fernandes na Coordenação de Estudos Urbanos.  Paralelamente, foi indicado para a presidência da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU) o então presidente em exercício do IAB-DN, Telmo Magadan. Todos esses profissionais reconhecidamente históricos militantes do IAB.

No mesmo ano, realizou-se o XXII Congresso Brasileiro de Arquitetos, em Belo Horizonte, cujo tema central – Os Arquitetos e a Constituinte, abordava a posição e a conduta dos arquitetos perante a convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

1985 a 1986 – O IAB e a Reformulação do Sistema Financeiro da Habitação

O IAB retoma o diálogo com o BNH, rompido no início dos anos 1980, mediante a participação oficial do Instituto junto ao Grupo de Trabalho de Reformulação do Sistema Financeiro da Habitação (GTR/SFH), instituído no âmbito do Ministério de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Paralelamente, e conforme as deliberações do XXII Congresso Brasileiro de Arquitetos, o IAB organizou um amplo debate nacional, em parceria com o MDU, congregando a sociedade civil e todos aqueles dispostos a repensar o Sistema Financeiro da Habitação. Esse amplo Debate Nacional foi organizado em 24 sessões concomitantes, abrangendo todos os estados da federação e o Distrito Federal, dele participando 1.900 entidades públicas e privadas, além dos movimentos sociais, envolvidos com a temática. Mas, apesar do esforço e do êxito obtido pelo Instituto em suas propostas e intervenções, mais uma vez o processo foi interrompido por decisões políticas, no âmbito da Presidência da República, sendo extinto, intempestivamente, o BNH por meio de decreto-lei, em 1986.  

1987 – O IAB e a Assembleia Nacional Constituinte

 Instalada a Assembleia Nacional Constituinte, em fevereiro de 1987, o IAB reafirmando suas convicções, mais uma vez se fez presente, oferecendo conteúdos, esclarecendo, e mesmo assessorando de perto parlamentares sobre as questões referentes ao espaço habitado e aos assentamentos urbanos.

1988 – Em virtude do acompanhamento persistente do IAB, subsidiando dia após dia os parlamentares constituintes, coadjuvado pelos movimentos sociais urbanos, pela primeira vez a Questão Urbana foi contemplada em um texto constitucional brasileiro, sendo a ela dedicado todo um capítulo, o Capítulo II – Da Política Urbana. Não o desejado, mas o possível, face à correlação de forças políticas.

Anos 1990 – Marchas e contramarchas para a aprovação do Estatuto da Cidade

Na década de 1990, o IAB além de dar continuidade às discussões pela criação de um organismo próprio de fiscalização do exercício profissional, empenha-se em acompanhar e subsidiar a tramitação, no Congresso Nacional, ao projeto de lei que viria regulamentar o artigo 182 da Constituição Federal. Após mais de dez anos de debates, com idas e vindas, marchas e contramarchas, o Estatuto da Cidade foi sancionado, com alguns expressivos vetos, pela presidência da república, em 2001.

Vale salientar, que o Estatuto da Cidade encontra suas origens conceituais nas deliberações do Seminário de Habitação e Reforma Urbana (SHRU) de 1963, devidamente ampliadas e atualizadas para uma realidade urbana brasileira, recém ingressa no século XXI.

Anos 2000, o IAB no Terceiro Milênio

 Entrado o século XXI, destacam-se como uma das atividades relevantes do IAB, a organização do acervo documental do Instituto, de abrangência nacional, catalogado, ainda que preliminarmente, e hoje depositado em Brasília, sob a guarda do IAB/DF.

Como evento de porte e visibilidade, se sobressai à realização do Congresso Brasileiro de Arquitetos, organizado pelo IAB/RJ e sediado no Rio de Janeiro, em 2003, onde diversos temas foram tratados. Mas, o que atraiu particular atenção debruçava-se sobre as marchas e contramarchas, iniciadas em 1976, para a institucionalização do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), criado, finalmente em dezembro de 2010. 

Também por iniciativa do IAB, foi convocado, em 2013, o Seminário de Política Urbana – Quitandinha + 50, desdobrado em encontros itinerantes estaduais, em comemoração aos 50 anos do Seminário de Habitação e Reforma Urbana (SHRU-1963), considerado marco histórico do urbanismo brasileiro.

Ainda, na segunda metade de 2000, o IAB viu por fim concretizado o seu pleito para sediar, na cidade do Rio de Janeiro em 2020, o 27º Congresso Internacional de Arquitetos – UIA2020, evento fruto da parceria entre o IAB e a União Internacional dos Arquitetos (UIA). O UIA RIO2020 conta com o apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo dos demais estados da federação (CAU/UF), da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ), do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) e da Federação Pan-Americana de Associações de Arquitetos (FPAA).

Graças à convocação deste evento, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a cidade do Rio de Janeiro como Capital Mundial da Arquitetura.

PRESIDENTES DO INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL

  • Adolfo Morales de Los Rios (1921 a 1924)
  • Fernando Nereo de Sampaio (1924 a 1928)
  • Cypriano Lemos (1928 a 1929)
  • Adolfo Morales de los Rios Filho (1929 a 1930)
  • Nestor Egydio de Figueiredo (1930 a 1932)
  • Angelo Bruhns (1932 a 1933)
  • Roberto Magno de Carvalho (1933 a 1934)
  • Augusto Vasconcellos Junior (1934 a 1936)
  • Nestor Egydio de Figueiredo (1936 a 1943)
  • Paulo Camargo de Almeida (1943 a 1946)
  • Firmino Fernandes Saldanha (1946 a 1949)
  • Milton Roberto (1949 a 1953)
  • Paulo Antunes Ribeiro (1953 a 1956)
  • Ary Garcia Rosa (1956 a 1960)
  • Ícaro de Castro Mello (1960 1966)
  • Fábio Penteado (1966 a 1968)
  • Eduardo Kneese de Mello (1968 a 1970)
  • Benito Sarno (1970 a 1972)
  • Miguel Alves Pereira (1972 a 1977)
  • Demétrio Ribeiro (1977 a 1980)
  • Fernando Burmeister (1980 a 1983)
  • Telmo Magadan (1983 a 1985)
  • Antônio Carlos Campello Costa (1985 a 1986)
  • Fábio Goldman (1986 a 1989)
  • Miguel Pereira (1989 a 1992)
  • Ciro Felice Pirondi (1992 a 1994)
  • Romeu Duarte Junior (1994 a 1996)
  • Gregório Repsold (1996 a 1998)
  • Carlos Maximiliano Fayet (1998 a 2000)
  • Haroldo Pinheiro Villar de Queiroz (2000 a 2004)
  • Demetre Basile Anastassakis (2004 a 2006)
  • Gilberto S. Domingues de Oliveira Belleza (2006 a 2008)
  • João Virmond Suplicy Neto (2008 a 2010)
  • Gilson Paranhos (2010 a 2012)
  • Sérgio Ferraz Magalhães (2012 a 2017)
  • Nivaldo de Andrade (2017-2020)