Entre os dias 11 e 14 de agosto, Fortaleza recebe a 22ª edição do Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA), realizado pelo IAB, reunindo profissionais, pesquisadores, estudantes, gestores e representantes de diferentes setores para discutir os desafios que atravessam a arquitetura, o urbanismo e as cidades brasileiras. Com o tema “(IN) SUSTENTÁVEIS modos de viver”, o congresso propõe uma reflexão crítica sobre as contradições da vida contemporânea e sobre o papel da arquitetura diante das emergências ambientais, sociais, culturais e urbanas.
Realizado no Centro de Eventos do Ceará e com expectativa de receber mais de 5 mil participantes, o CBA reúne conferências, debates, cursos, práticas e experiências que aproximam conhecimento científico, cultura e exercício profissional. A programação também dialoga com a ExpoConstruir, articulando as discussões sobre arquitetura e cidade a temas relacionados à construção, à inovação tecnológica e às transformações do setor.
Entre os principais eixos do congresso estão a formação e a capacitação profissional, a preservação do patrimônio e o reaproveitamento das estruturas existentes, a inclusão social e o enfrentamento das vulnerabilidades ambientais, étnico-raciais e de gênero. Mais do que discutir soluções técnicas, o congresso coloca em questão os próprios modos de produzir e ocupar as cidades e, nesse sentido, abre espaço para uma discussão que terá desdobramentos internacionais no Fórum Internacional da União Internacional dos Arquitetos (UIA), em 2028, no Rio de Janeiro.
CBA pode fortalecer a construção do UIA 2028 Rio
Neste contexto, a participação do IAB-RJ no congresso ganha especial relevância. A delegação do Instituto está presente em Fortaleza com representantes de sua diretoria e de seu Conselho Superior, realizando debates preparatórios ao Fórum Internacional da UIA 2028 e participando das atividades do Fórum de Assessorias Técnicas.
A presença do IAB-RJ no CBA vai além da participação institucional em um congresso nacional, mas também integra um processo mais amplo de construção de uma agenda que será apresentada ao debate internacional em 2028, já que questões discutidas em Fortaleza como sustentabilidade, assessoria técnica, patrimônio, memória, inclusão, formação profissional e as transformações nos modos de viver estão diretamente relacionadas aos desafios que estarão no centro do Fórum da UIA no Rio.
Com o lema “Uma cidade. Muitos mundos”, a candidatura do Rio de Janeiro, feita em parceria com a Prefeitura do Rio, parte justamente da ideia de que a cidade pode funcionar como território de encontro entre diferentes experiências, culturas e formas de compreender e produzir o espaço urbano. O UIA 2028 deverá reunir profissionais, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes do setor de turismo em torno de uma agenda internacional sobre os caminhos para cidades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes.
A diretoria do IAB-RJ tem certeza que as experiências e reflexões compartilhadas no CBA serão de grande valia para a construção de uma perspectiva brasileira para o Fórum de 2028, conectando a produção profissional e intelectual do país às discussões globais sobre o futuro das cidades.
Representam o IAB-RJ em Fortaleza a presidente do IAB-RJ, Marcela Abla, além de Marllon Sevilha, Vera França Leite, Henrique Barandier e Sérgio Magalhães.
Acervo IAB-RJ: preservar a memória para projetar o futuro
Outro momento de destaque da participação do IAB-RJ no 22º CBA será o Seminário Acervos de Arquitetura e Urbanismo, que contará com a apresentação do trabalho desenvolvido pelo Instituto para a recuperação, organização, conservação e divulgação de seu acervo bibliográfico.
Durante o seminário, a atual diretoria do Instituto apresentará esse processo a partir de uma linha do tempo, contextualizando a formação e a trajetória do acervo e destacando sua relevância para a preservação da memória da arquitetura e do urbanismo brasileiros.
A apresentação também abordará os esforços realizados pela atual gestão para identificar, organizar e conservar o conjunto documental, bem como as estratégias desenvolvidas para ampliar seu acesso e sua divulgação. O trabalho envolve duas dimensões complementares: preservar o que foi produzido no passado e criar condições para que esse conhecimento continue produzindo reflexão no presente e no futuro.
O caso do acervo IAB-RJ dialoga diretamente com uma das questões centrais do debate contemporâneo sobre as cidades: não existe projeto de futuro sem memória. Preservar documentos, livros, registros e referências da produção arquitetônica significa garantir que novas gerações possam compreender as escolhas, os conflitos e as transformações que construíram nossas cidades.