Adesão à Carta “A Cidade Que Queremos 2026” reúne 31 candidaturas e amplia compromisso com propostas para o futuro das cidades do Rio

Levantamento do IAB-RJ mostra prioridades indicadas por candidaturas à Alerj, Câmara e Senado em seis áreas estratégicas, como habitação, clima, mobilidade, participação social e segurança alimentar.

O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio de Janeiro (IAB RJ) apresenta os resultados das adesões à Carta Manifesto “A Cidade Que Queremos 2026”, iniciativa construída coletivamente desde 2020 e que reúne propostas para orientar o debate público e a formulação de políticas públicas de urbanismo para o estado do Rio de Janeiro.

Até o dia 21 de setembro, 28 candidaturas aos legislativos estadual e federal haviam aderido à Carta Manifesto: 14 candidaturas à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), 13 à Câmara dos Deputados e duas ao Senado Federal. Entre as candidaturas que formalizaram a adesão estão Bia Bogossian, Dani Balbi, Dani Monteiro, De Loys, Flavio Serafini, Luciana Boiteux, Luiz Paulo, Marina do MST, Pedro Duarte, Renata Souza, Verônica Lima, Wesley Teixeira, Yuri Moura e Zeidan, pela Alerj; Axel Grael, Chico Alencar, Chico Rubens Paiva, Engenheiro Marcão, Henrique Vieira, Nísia Trindade, Professor Murdoch, Reimont, Rick Azevedo, Roberta Mendes, Tainá de Paula, Tarcísio Motta, Vitor Junior e Wilians Douglas, pela Câmara; Benedita da Silva Monica Benício, ao Senado e William Siri ao Governo do Estado.

A adesão não se limita à assinatura do documento. O relatório de resultados registra que as candidatas e candidatos foram convidados a indicar, em cada um dos seis eixos da Carta, até três propostas consideradas prioritárias e com as quais seus respectivos mandatos se comprometem a trabalhar para viabilizar e/ou acompanhar a implementação. Alguns participantes indicaram mais de três opções, respostas que foram mantidas no levantamento. 

A Carta Manifesto 2026 é uma continuidade da iniciativa coordenada pelo IAB RJ desde 2020, cujo objetivo é contribuir para o aprimoramento das políticas públicas urbanas e para a redução das desigualdades sociais. A edição de 2026 está voltada à atuação dos poderes Executivo e Legislativo estaduais e do Congresso Nacional, com propostas destinadas a combater as desigualdades socioterritoriais, enfrentar as emergências climáticas e ampliar a participação cidadã no território fluminense. 

Seis eixos para orientar políticas públicas

As propostas estão organizadas em seis eixos: Governança, Transparência e Gestão Territorial; Reforma Urbana e Direito à Cidade; Enfrentamento da Emergência Climática; Desenvolvimento Rural e Soberania Alimentar; Mobilidade Urbana e Infraestrutura Social; e Cultura, Patrimônio, Educação e Economia Urbana. 

Entre os temas que receberam maior adesão das candidaturas estão:

  • Governança, Transparência e Gestão Territorial: priorização de investimentos públicos para regiões com maiores carências socioespaciais, redução das desigualdades territoriais por meio de sistemas de informação e adoção de mecanismos de participação social e transparência orçamentária. O relatório também contempla a marcação orçamentária climática no PPA, na LDO e na LOA estaduais. 
  • Reforma Urbana e Direito à Cidade: destinação de imóveis públicos vazios para Habitação de Interesse Social (HIS), instrumentos para fazer imóveis ociosos cumprirem sua função social, assistência técnica pública e gratuita para famílias de baixa renda e melhorias habitacionais que garantam a permanência das comunidades em seus territórios. 
  • Enfrentamento da emergência climática: preparação das cidades para os novos cenários climáticos, com gestão integrada de riscos, infraestrutura resiliente e soluções baseadas na natureza; universalização do saneamento; proteção de nascentes e mananciais; e redução das emissões de gases de efeito estufa. 
  • Desenvolvimento Rural e Soberania Alimentar: incentivo à agricultura familiar e à produção agroecológica, integração da produção rural à rede pública de segurança alimentar, utilização de vazios urbanos para hortas e jardins comunitários e criação de sistemas alimentares articulados no âmbito estadual. 
  • Mobilidade Urbana e Infraestrutura Social: integração dos sistemas de transporte e dos dados de bilhetagem, criação de fontes de financiamento para redução progressiva das tarifas até a Tarifa Zero Universal, fortalecimento da governança metropolitana, acessibilidade em toda a cadeia de deslocamento e ampliação dos transportes de alta e média capacidade. 
  • Cultura, Patrimônio, Educação e Economia Urbana: distribuição territorialmente equitativa de equipamentos culturais, proteção de territórios de memória negra e indígena, reconhecimento das economias populares e do trabalho informal, acesso à internet como infraestrutura urbana e integração do patrimônio edificado às políticas climáticas. 

Compromisso público e acompanhamento

Para o IAB RJ e todas as entidades signatárias da Carta Manifesto, o levantamento permite registrar não apenas quais candidaturas aderiram à Carta, mas também quais propostas foram apontadas por elas como prioritárias para sua atuação parlamentar. O resultado estabelece, assim, uma referência pública para o acompanhamento das propostas ao longo do processo eleitoral e, posteriormente, da atuação dos mandatos que vierem a ser exercidos.

“A Cidade Que Queremos” parte da compreensão de que a construção das cidades deve ser coletiva e que políticas urbanas precisam enfrentar simultaneamente desigualdades sociais e territoriais, emergência climática e participação cidadã. A Carta também estabelece que cultura, educação, informação e saúde devem ser compreendidas como infraestruturas urbanas estruturantes. 

O relatório de resultados, com respostas recebidas até 21 de setembro de 2026, passa a integrar esse processo de acompanhamento, tornando públicas as prioridades indicadas pelas candidaturas que aderiram à iniciativa. 

A Carta Manifesto “A Cidade Que Queremos 2026” é coordenada pelo IAB RJ e construída coletivamente com mais de trinta organizações da sociedade civil. A iniciativa busca contribuir para que o debate eleitoral incorpore propostas concretas para cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

Clique aqui para acessar o relatório com as respostas recebidas pelas candidatas e candidatos.

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