Museu Itinerante da Amazônia é instalado na sede histórica do IAB RJ

O Museu Itinerante da Amazônia (MIA) traz ao Rio de Janeiro a exposição “Passado, Presente e Futuros”. Instalada na sede do IAB RJ, a iniciativa apresenta novos repertórios de cidades na Amazônia e propõe reflexões sobre como o território amazônico pode inspirar caminhos para enfrentar os riscos associados às mudanças climáticas. A mostra, com visitação gratuita, fica em cartaz até o dia 7 de abril.

O MIA é uma realização do Laboratório da Cidade (Lab Cidade), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Em sua primeira itinerância nacional, iniciada em 2025, o museu percorreu diferentes cidades brasileiras em uma travessia simbólica que conecta territórios, rios e saberes. O percurso passou por por Manaus (AM), em abril; São Luís (MA), em junho; Brasília (DF), em dezembro; chegando agora ao Rio para concluir o ciclo.

Nesta edição carioca, a exposição convida o público a caminhar sobre a terra onde antes havia floresta, e onde ela ainda pulsa, mesmo soterrada por concreto, esquecimento e fumaça. Ela reconhece ainda a cidade não como oposta à floresta, mas como parte de sua história. Como ruína viva, capaz de florir novamente.

O MIA reúne pinturas, mapas, vídeos e fotografias que conectam ciência, arquitetura e saberes ancestrais. Na edição carioca, entram para o acervo obras das artistas Thaís Iroko e Leid Ane, que abordam temas como memória, território e as vivências de mulheres negras e periféricas.

A gerente de projetos do Lab Cidade, Jade Jares, explica que a itinerância no Rio amplia o debate sobre a forma como habitamos e construímos nossas cidades. “Para pensar o futuro, precisamos olhar para como as cidades eram organizadas no passado, numa Amazônia pré-colombiana, pelos povos originários, que arquitetavam e urbanizavam em harmonia com a natureza, utilizando técnicas construtivas ligadas aos biomas. É importante retirar um pouco as lentes coloniais para compreender que muitos modelos de desenvolvimento importados não respondem às realidades das nossas cidades”, afirma.

De acordo com a equipe do Lab Cidade, a cidade amazônica do futuro não será aquela que ‘resiste ao clima’, mas aquela que reaprende a habitar com ele. E, para isso, será preciso escutar quem já habitava a floresta antes de chamarmos de cidade: povos que souberam transformar o solo, erguer casas sobre a água, traçar caminhos que seguiam os cursos dos rios e o ritmo das chuvas, construindo paisagens em harmonia com o movimento da vida.

Na abertura da exposição, a presidente do IAB RJ, Marcela Abla, que teve a oportunidade de conferir a mostra em São Luís (MA), destacou a importância de a exposição ser instalada e concluir sua itinerância no Rio de Janeiro e no Departamento.

“A exposição traz uma reflexão muito necessária sobre urbanização, ancestralidade e justiça climática. Ao revisitar conhecimentos e práticas de povos que aprenderam a viver em equilíbrio com o território, ela nos convida a pensar caminhos para cidades mais resilientes diante de fenômenos cada vez mais presentes, como alagamentos, ondas de calor e deslizamentos. A ideia é ampliar esse debate no IAB RJ, com mesas-redondas e encontros que reúnam especialistas, poder público e a sociedade para discutir os temas colocados pela mostra e pensar, coletivamente, soluções para o Rio de Janeiro e para as cidades do futuro”, destacou Marcela.

Projetado para o dia da Amazônia e para promover a conscientização da sociedade sobre esse dia, o MIA surgiu com o intuito de impactar e trazer a realidade dos povos originários e, também, em busca de resgatar nossa ancestralidade, de nos aproximar de nossas origens.

Mais notícias