63ª Premiação IAB RJ celebra produção arquitetônica fluminense

Com 151 trabalhos inscritos, premiação bate recorde de participação

O Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RJ) anunciou na noite de quinta-feira, 11 de dezembro, durante a sua Festa Anual, os vencedores da 63ª Premiação IAB RJ. O auditório esteve repleto de arquitetos e urbanistas, estudantes, representantes das principais entidades profissionais e convidados. O clima foi de grande vibração, com muitos presentes acompanhando os anúncios em pé.

Antes da entrega dos prêmios, o coordenador das premiações profissional e estudantil do Departamento, Júlio César Moreira, apresentou dados expressivos que reforçam o protagonismo do evento no setor. Ao todo, foram 151 trabalhos inscritos e 132 homologados, distribuídos em seis eixos: Edificações; Arquitetura de Interiores e Design; Urbanismo, Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades; Cultura Arquitetônica; Práticas Pedagógicas; e Fotografia de Arquitetura.

“O eixo Fotografia de Arquitetura, que contou com a parceria da Conafarq, foi um sucesso. Ele recebeu 65 inscrições, o que representa 38,9% de todos os trabalhos recebidos. Arquitetura de Interiores de Design foi o segundo em número de concorrentes, seguido de Edificações ”, detalhou Júlio César Moreira.

Um dos aspectos destacados na cerimônia foi a diversidade do corpo de jurados. Composta por 27 profissionais, a comissão julgadora prezou pela pluralidade racial, geográfica, etária e de gênero. Esta edição contou com jurados atuantes no mercado e em instituições acadêmicas como UFRJ, PUC e Mackenzie, além de profissionais da UFBA, UFPR e USP.

“É importante destacar que a premiação profissional do IAB RJ é realizada desde 1963 de forma ininterrupta. Sua história e relevância consolidaram seu reconhecimento, pelos profissionais da categoria, como um espaço de reflexão crítica sobre a arquitetura e o urbanismo, que celebra o talento, a pesquisa e o compromisso social que marcam a profissão”, destacou a presidente do IAB RJ, Marcela Abla.

Confira, abaixo, os projetos premiados.

Eixo Edificações

CASA BH (Menção Honrosa)

Categoria: Residências unifamiliares

Autor: Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados

Equipe: Miguel Pinto Guimarães, Adriana Moura, Aline Soares e Patricia Serra, Renata Duhá, Fernanda Borschiver, Melissa Paro, Pedro Camara, Cesar Rodrigues dos Santos, Carolina Damaso, Daniela Monteiro, Fernanda Mercès, Fernanda Pais, Francisco Fontinele, João Pomar, Teresa Jardim

Síntese do trabalho: A Casa BH se localiza no fundo de um vale alongado na serra do Rio de Janeiro. O terreno e a paisagem sugeriam uma arquitetura mimética e pouco invasiva. Optamos por aproveitar a pouca inclinação do declive existente para a implantação da construção. A cobertura ajardinada é uma consequência da topografia. A partir de um minucioso estudo de insolação, resolvemos criar uma inflexão no plano frontal protegendo estar, jantar e varanda do poente. O beiral de concreto em curva emoldura todo o conjunto trazendo leveza e organicidade, suavizando os ângulos atípicos.


Verdê: contemplar a história, a natureza e a transformação do bairro (Menção Honrosa)

Categoria: edifícios multifamiliares

Autor: Anibal Sabrosa Gomes da Costa

Equipe: Daniela Grave, Alex Felizardo, André Linhares e Ricardo Pereira Frota

Síntese do trabalho: O Verdê traz essencialmente para o seu morador e visitantes todo o glamour do início do século passado, ao restaurar e devolver a beleza do imóvel centenário; bem estar, através de seu paisagismo com a continuidade da fauna e flora do vizinho Parque Lage, da demanda dos novos moradores do bairro do Jardim Botânico, com a construção ao fundo do terreno, um edifício de design contemporâneo, onde predominam suas linhas puras, deixando todo protagonismo para a história e a natureza do local. Verdê é a essência do bairro, onde história, natureza e contemporaneidade fazem parte da vida das pessoas.


Moradia Semente: semeando soluções vitais para florescer mudanças coletivas (Menção Honrosa)

Categoria: habitação para população em vulnerabilidade

Autores: Bruno Lopes de Souza e Ygor Santos Melo

Síntese do trabalho: O projeto Moradia Semente une prática social e arquitetura para enfrentar a precariedade habitacional nas favelas brasileiras. Criado pelos arquitetos periféricos Bruno Lopes de Souza e Ygor Santos Melo para a organização social TETO Brasil, propõe moradias transitórias, modulares e adaptáveis, construídas de forma coletiva e educativa. Mais que abrigo, é um gesto de dignidade que transforma territórios e reafirma a moradia como um direito vital. Foram construídas 20 unidades no Rio de Janeiro até 2024 e mais 9 em outros Estados.


Museu Vassouras (Menção Honrosa)

Categoria: Restauro, Requalificação e Retrofit

Autores: Mauricio Prochnik, Mozart Vitor Serra e Marcos Moraes de Sá

Equipe: Thiago Lopes, Marcia Velloso, Leoni Miranda, Glauco Lobato, Rodrigo Flaeschen, Maria Carolina Duriez, Gabriel Nunes, Anna Gabriela Reis, Daniel Alves, Millena Barbosa, Marcos Moraes de Sá, Gabriela de Matos, Julio Ono, Ondemar Ferreira Dias Junior, Giovani Scaramella, Geraldo Fillizola e Mayara Amorim, Apolonio Bechara Santos, Hugo Servian, Cláudia Mangano da Silva Pedreira, Thais Mangano S. Miranda, Moyses Zyndeluc, Nelson Solano Vianna, Eujan Gomes Carneiro, Mauricio Barros, Carlos Marx, Júlio Cesar Vettorazzo Elias, Marcio Camargo, Luiz Paulo B. Sias, Robson Santos Barradas, Lucas Daher, Gabriella Zubelli, Igor Alvin, Monica Lobo, Ricardo Pereira, Rafael Rodrigues, Nair de Paula Soarese  Danny Shpielman.

Síntese do trabalho: O Museu Vassouras foi projetado e construído ao longo do período 2018-2025 ocupando o conjunto edificado da Santa Casa de Misericórdia, no centro histórico de Vassouras, tombado pelo IPHAN, concebido e financiado por iniciativa privada e com recursos próprios. O Museu pretende recontar a história local com um olhar crítico e a partir do foco nos grupos desfavorecidos, celebrando identidades e fomentado cultura e educação. O café, cultura agrícola responsável pela devastação da Mata Atlântica no Médio Vale do Paraíba, pelo ressurgimento do tráfico de escravizados no sudeste brasileiro.


Ser Cidadão (Premiado)

Categoria: Edificações Institucionais

Autora: Nanda Eskes

Equipe: Raquel Azevedo, Thainá Bessa e Henrique Goerdeler, Trini Engenharia, João Leopoldo e Rafael Leopoldo, Fernando Cunha, Lightdrops, RTM Arquitetos, Ramon Alberto Ayoroa Patino, Equiper, Vetor Consultoria Projeto e Engenharia, Atacfire, TPX Projetos, Solar ON, Gileade Telecomunicações, Gualter Pupo, Samuel Bretts, Eduardo Casulo, Ricardo Sawl, Mariana Pinto, Versa Saboya.

Síntese do trabalho: Em Santa Cruz, a expansão da sede da Ser Cidadão preserva o casarão histórico e o integra a novos volumes leves, em construção seca com estrutura metálica e placas cimentícias. Implantado entre árvores, o conjunto privilegia ventilação cruzada, iluminação natural, energia solar e reaproveitamento de água. A praça coberta e o terraço aberto à paisagem convidam à convivência e à aprendizagem, traduzindo em arquitetura o compromisso com dignidade, cultura e futuro para o território.


Atobá (Premiado)

Categoria: Edifícios multifamiliares

Autores: Celso Rayol e Fernando Costa

Equipe: Daniel Osório, Lúcia Andrezo, Thiago Godoy, Vanessa Moreira, André Caterina, Ana Terra Vettori, Eduardo Romano, Leonardo Leal, Luiza Melo e Pedro Brito, Echo Arquitetura, M2 Projetos de Tecnologia, Porú, QMD Consultoria, Meyer & Pedroso Engenharia, ABS, GTI Projetos, Green Gold Engenharia, Bianca da Hora, Hibritec, Chiaradia + Gayoso, Hibritec, Deca, Franke e Tramontina, Portobello, Granito, Atlas, Ezy Color, TKE, Mozak, PKO.

Síntese do trabalho: O projeto transforma as limitações de um terreno estreito em oportunidade de criação. A solução simétrica da torre organiza as unidades e define a arquitetura, que ganha força com a integração entre arte e construção. Inspirada nas obras de Daniel Senise, a fachada combina cobogós de alumínio exclusivos e granito branco siena, criando um diálogo entre cheios e vazios e garantindo durabilidade. A iluminação valoriza texturas e volumes, enquanto os cobogós filtram a luz e asseguram privacidade. O resultado é um edifício que une técnica, arte e harmonia com o entorno do Leblon.


Casa em Pedra do Rio (Premiado)

Categoria: Residências unifamiliares

Autor: Juan Pablo Rosenberg

Equipe: Marina Acayaba, Renata Serio e Tamara Siberfeld

Síntese do trabalho: Em Pedro do Rio, Petrópolis, esta casa de fim de semana abriga avós, netos e amigos em torno da paisagem serrana. O projeto se organiza em duas alas que moldam uma praça-jardim voltada ao vale. Na área social, um telhado metálico em duas águas pousa sobre monolitos de pedra, criando abrigo e sombra. Sala, cozinha e varanda se unem em um espaço contínuo e acolhedor. Aos fundos, os quartos se abrem para o leste, flutuando sobre a névoa ao amanhecer, enquanto a piscina prolonga o horizonte do vale.


Projeto de restauração do edifício Docas de Santos – Sede do Iphan/RJ (Premiado)

Categoria: Restauro, Requalificação e Retrofit

Autores: Roberto Nascimento e Octávio Reis

Equipe: Silvia Henriques, Viviane Albernaz, Marco Kling, Ana Paula Tantos, Almyr Costa, Adolfo Ibañez, Verônica Machado, Geraldo Filizola, Abílio Neto, Rúnio Almeida, Jorge Wilson, Rodrigo  Luz, Oyama Achcar, Alex Pitanga, Marcelo Sancho.

Síntese do trabalho: Projeto de Restauração do Edifício Docas de Santos – Sede do IPHAN/RJ Símbolo da arquitetura eclética e da transformação urbana do início do século XX, o edifício da Av. Rio Branco foi projetado por Ramos de Azevedo. Sede original da Companhia Docas de Santos, abriga hoje o IPHAN/RJ. O projeto de restauração recuperou elementos originais, modernizou sistemas e adequou o prédio às normas atuais, preservando autenticidade e função. Realizado por equipe multidisciplinar, incluiu pesquisas, levantamentos e fotogrametria com acompanhamento técnico do IPHAN.


Ateliê de costura (Premiado)

Categoria: Uso misto, comercial e industrial

Autores: Nanda Eskes e Fernando Minto

Equipe: Thainá Bessa, Mateus Leoni, Rafael Fogel, Felipe Lorga, Noemia Barradas e Wilson

Síntese do trabalho: O Ateliê de costura em Santa Teresa, projetado para ser construído sobre uma contenção de pedras de 200 anos, incorpora técnicas ancestrais, de baixo impacto ambiental e materiais reaproveitados, dialogando com o contexto histórico. A estrutura é composta por painéis de concreto ciclópico e vigamento de madeira, as vedações foram executadas com portas de vidro temperado reutilizadas e esquadrias, também de madeira. Esta foi uma tentativa de síntese e equilíbrio entre respeito à memória e inovação técnica.


Eixo Arquitetura de Interiores e Design

Balcão Expositor (Menção Honrosa)

Categoria: Design de objetos e mobiliário

Autor: Ricardo Kalil

Síntese do trabalho: O balcão expositor é construído a partir de chapas de compensado de reuso, sua estrutura é sustentada por seis barras roscadas e rodízios giratórios, garantindo estabilidade e ajuste fino. O mobiliário é viabilizado através de um armário que seria descartado; as chapas de madeira são cortadas, tratadas e lixadas, dando origem a um novo objeto a partir de um material que já teve outras funções. Essa operação evidencia um gesto de transformação: o que seria resíduo torna-se novamente matéria ativa no espaço.


Apartamento Raízes (Premiado)

Categoria: Interiores Residenciais

Autoras: Carolina Escada e Patrícia Landau

Equipe: Gabriela Maya, Bruno Hermida

Síntese do trabalho: O projeto propôs a renovação de um apartamento dos anos 1950, preservando sua essência original e incorporando soluções contemporâneas. A intervenção promoveu a integração dos ambientes, criando espaços fluidos e funcionais. A identidade do edifício é acentuada pela seleção de materiais como terrazzo e parquet, e o apartamento, em sua totalidade, espelha as raízes e a identidade de seus moradores.


FARM ETC (Premiado)

Categoria: Interiores Comerciais e Institucionais

Autora: Bel Lobo

Equipe: Fernanda Carvalho, André Nascimento e Lola Belchi, Fábio Fernandez e André Nascimento

Síntese do trabalho: Projeto inspirado na paisagem e cotidiano das praias carioca. A arquitetura dialoga com a rua e se abre para um jardim ao fundo, reforçando o conceito de espaço de “fora para fora”.

A fachada traz cobogós assinados por Humberto Campana. Uma arquibancada expositiva em material reciclado de PET faz referência à Pedra do Arpoador. O grid metálico garante flexibilidade a cada coleção, enquanto o piso em pedras portuguesas com tucanos icônicos da marca, desenvolvidos pela Farm, e o mobiliário evocam o improviso criativo da orla.


Expografia Carmen Portinho: Modernidade em Construção (Premiado)

Categoria: Expografia e Cenografia

Autora: Juliana Sicuro e Gávea Arquitetos

Síntese do trabalho: A proposta consiste em uma composição de elementos no espaço entre estruturas aparentes, planos opacos e cortinas de tecido com a presença de elementos gráficos e de cor.


Linha de Luminárias (Premiado)

Categoria: Design de Objetos e Mobiliário

Autores: Miguel Pinto Guimarães e Thiago Bernardes

Síntese do trabalho: Convidados para assinar uma linha de produtos para uma marca de design, os arquitetos optaram por projetar objetos luminosos que fazem falta no mercado. Duas tipologias foram propostas. A primeira é uma luminária para bibliotecas. Apresenta corpo vertical com uma esfera de luz difusa acoplada que transmite a dose certa de claridade para iluminar os títulos ao redor. A segunda peça propõe um jogo preciso de volumes, superfícies e luz, tensionando os limites entre arquitetura e objeto. Uma esfera de madeira é subtraída de um bloco sólido, revelando uma clareira iluminada.


Eixos Urbanismo e Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades

Laboratório Urbano Oswaldo Cruz (Menção Honrosa)

Categoria: Intervenções Urbanas Estratégicas

Autores: Adriana Sansão Fontes, João Pedro Pina, Gabrielle Rocha, Giovana Leal e Ingrid Monteiro

Equipe: Ariela de Oliveira, Bruno Amadei Machado, Rodrigo Rinaldi de Mattos, Roland Krebs, Thomaz Ramalho, Marcos Vinicius Pereira da Silva, Gonçalo castro Henriques, Pedro Engel Penter, Rodrigo Rinaldi de Mattos, Daniel Mancebo, Aline Romeu Xavier, Isabela Lobato, Thais Rennó, Brasiliano Vito Fico e Bruna Beatriz Bortoletto Macciantelli.

Síntese do trabalho: Trata-se de uma iniciativa que envolve a comunidade na criação de espaços urbanos mais seguros e acolhedores, utilizando o Urbanismo Tático por meio de intervenções rápidas, de baixo custo e impacto imediato. Baseado nas diretrizes dos Corredores de Sustentabilidade do PDS do Rio de Janeiro, o projeto amplia o alcance do piloto de 2024, atuando em mais áreas do bairro. De autoria do LabIT-PROURB, da FAU/UFRJ, o projeto tem o apoio de diversos órgãos da Prefeitura, como a Subprefeitura da Zona Norte, Casa Civil, FPJ, Seconserva, Comlurb, SMAC, Rio Luz e Cet Rio, e parceria da Superwien Urbanism


Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói (Premiado)

Categoria: Infraestrutura Verde Urbana

Autor: Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura de Niterói

Equipe: Renato Barandier, Fabrício Arriaga, Dayse Monassa, Betina Araújo, Fernanda Carvalho, Paula Viana.

Síntese do trabalho: A Revitalização da Orla do Centro de Niterói reconecta física e simbolicamente a cidade à baía, transformando uma frente degradada em um ambiente de mobilidade sustentável e inclusão social. O projeto amplia áreas verdes, reduz o espaço destinado a automóveis e integra infraestrutura, habitação, paisagem e cultura em um sistema contínuo de espaços públicos que devolve a frente marítima às pessoas e sua centralidade à cidade. Redefine os vazios urbanos centrais, promovendo adensamento sustentável, moradia acessível e novos padrões de mobilidade e habitação para gerações presentes e futuras.


Jardins do Museu Nacional: Requalificação Paisagística (Premiado)

Categoria: Infraestrutura Verde de Intervenção Local

Autor: Embyá Paisagens e Ecossistemas

Equipe: Duarte Vaz Guedes e Silva, Bruno Amadei, Elena Geppetti, Isadora Riker, Victor Huggo Fernandes e Mylenna Linhares

Síntese do trabalho: O Paço de São Cristóvão, sede do Museu Nacional, envolve narrativas culturais, naturais, materiais e imateriais que requerem preservação e divulgação. O projeto visa restaurar e revelar novos significados dos jardins do Paço, organizando-os conforme suas vocações passadas, presentes e futuras. O projeto se estrutura em torno de quatro eixos estratégicos: Sustentabilidade e ecologia; História; Ruínas após incêndio; Museu, ciência e interculturalidade.


Pedra Lisa: Projeto urbano na primeira favela do Brasil (Premiado)

Categoria: Intervenções urbanas estratégicas

Autor: Roberto Cruz Saavedra

Equipe: Thaís Stefano, Ruth Vieira

Síntese do trabalho: O projeto Pedra Lisa, no Morro da Providência, revitalizou praça e becos degradados com soluções sustentáveis e participação comunitária. Piso drenante, redes de saneamento, iluminação e grafites transformaram o território em espaço seguro e vibrante. Realizado com mão de obra local, o projeto valorizou o lazer das crianças e o convívio entre moradores, fortalecendo identidade, cidadania e pertencimento urbano.


Plano de manejo das águas e serviços ecossistêmicos de áreas úmidas da Bacia do Rio das Ostras: IVAs para uma gestão integrada, direito à paisagem e adaptação climática (Premiado)

Categoria: planejamento urbano e regional

Autora: Maria Lis Paula de Moraes dos Santos

Equipe: Vinícius Ferreira Mattos (Orientador), Osvaldo Moura Rezende (Orientador)

Síntese do trabalho: Este trabalho dedica-se ao planejamento da paisagem a partir da gestão dá água na bacia hidrográfica do rio das ostras, sendo orientado pela potencialização dos serviços ecossistêmicos presentes em áreas úmidas. Fomenta-se a discussão sobre as áreas de inundações como espaços de valor ecossistêmico e com potencialidades de mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas, proporcionando junto aos sistemas de espaços livres públicos a experiência com a natureza, e o direito à paisagem.


Eixo Cultura Arquitetônica

O estilo sob suspeita: arquitetura e modernidade em Archimedes
Memória e Lucio Costa (Menção Honrosa)

Categoria: Publicações

Autor: Diego Dias

Síntese do trabalho: O campo da arquitetura no Brasil passou por grandes mudanças entre os séculos XIX e XX, caracterizando-se pela busca de novos estilos projetuais. Neste cenário, formaram-se Archimedes Memória e Lucio Costa, adotando posturas opostas. O livro centra-se no confronto entre as correntes ditas “tradicional” e “funcionalista”. Analisando o acervo documental inédito de Memória, a pesquisa reconstrói o papel do estilo e suas vertentes de modernidade. Propõe-se estimular a revisão da historiografia nacional para revalorizar o Ecletismo e o ensino Beaux-Arts, base formativa do Modernismo brasileiro.


In-formal: infraestrutura urbana revisitada (Menção Honrosa)

Categoria: Publicações

Autores: Guilherme Lassance, Beatriz Gomes, Lucas Freitas e Nicholas Manso

Síntese do trabalho: O livro trata do tema da cidade desigual, entendendo sua relação com o problema crônico da segregação sócio-espacial. A partir disso, é explorado o conceito de ‘oferta de cidade’, buscando distinguir-se das abordagens instruídas pela referência aos padrões urbanísticos da cidade formal. Tem por objetivo identificar no Rio de Janeiro práticas informais, subversivas de tais padrões. A publicação explora a possibilidade de construção de categorias espaciais e funcionais alternativas capazes de contribuir com o planejamento de uma cidade mais híbrida, resiliente e inclusiva.


Lina e Lygia modernismo e patrimônio cultural (Menção Honrosa)

Categoria: Publicações

Autora: Cêça Guimaraens

Síntese do trabalho: A vontade de reterritorializar a Memória é a mensagem no livro, o qual reconhece que a arquiteta Lina Bo Bardi e da museóloga Lygia Martins Costa são personagens femininos que reinventaram e construíram a nossa cultura. O texto torna possível o exercício de revisão da história do Movimento Moderno por meio da narrativa da experiência de criaturas-mulheres que mantiveram os laços com o lugar e o tempo originais, possibilitando também recuperar os limites da eficaz e reconhecida modernidade olímpica brasileira.


Arquitetura do estado de trânsito (Premiado)

Categoria: publicações

Autores: Cauê Capillé e Thiago Soveral

Síntese do trabalho: Frequentemente tratadas como simples aparatos de mobilidade, as infraestruturas de trânsito do Rio de Janeiro abrigam potenciais políticos e ambientais ainda pouco explorados. Elas materializam o estado de trânsito — a condição urbana regional e a forma coletiva cotidiana da metrópole. Este livro propõe quatro estratégias de projeto arquitetônico que atuam sobre infraestruturas existentes, estimulando seus potenciais coletivos.


Arquitetura em revista: Luiz Mario Xavier (Premiado)

Categoria: Inovação e Desenvolvimento Técnico

Autores: Andres Martin Passaro e Paulo Neves Siqueira

Síntese do trabalho: A produção de registros audiovisuais surge como meio para salvaguardar e democratizar o acesso ao patrimônio arquitetônico, conectando novas gerações a importantes nomes da arquitetura. O projeto Arquitetura em Revista, busca desenvolver uma série de documentários sobre arquitetos cujos acervos são preservados pelo Núcleo de Pesquisa e Documentação (NPD) da FAU UFRJ. Como primeiro resultado, foi feito o registro da trajetória do arquiteto Luíz Mario Xavier — formado pela Universidade de Brasília em 1969, professor voluntário da UFRJ e colaborador de Oscar Niemeyer e Ítalo Campofiorito.


HALL arte arquitetura / art architecture / kunst architektur (Premiado)

Categoria: curadoria e eventos

Autores: Tropigalpão, Casa_Horizonte e Kunstakademie Düsseldorf

Síntese do trabalho: A exposição HALL – arte arquitetura / art architecture / kunst architektur é uma parceria entre o Tropigalpão, a Kunstakademie Düsseldorf e a Casa_Horizonte. A mostra reuniu sete artistas cujas obras exploram as interseções entre arte e arquitetura, sob a curadoria de Denise Milfont. Ao longo da temporada de exibição foram realizadas visitas guiadas e diferentes encontros centrados nesta articulação. Por fim, concluída a temporada, a exposição ganha um novo desdobramento com um catálogo digital, como um registro dessa experiência coletiva.


Eixo Práticas Pedagógicas

Ateliê avançado arquitetura e urbanismo social (Menção Honrosa)

Categoria: Práticas em ensino-aprendizagem

Autora: Solange Carvalho

Síntese do trabalho: A disciplina Ateliê Avançado Arquitetura e Urbanismo Social se articula com forças sociais do Complexo do Alemão, em parceria com o Instituto Raízes em Movimento. De 2023 a 2025, desenvolveu propostas para a Travessa Laurinda, Avenida Central e Lagoinha, integradas a projetos da Fiocruz e IPPUR/MCidades. As atividades incluíram visitas de campo, reuniões com moradores, e desenvolvimento de material projetual como instrumento de comunicação e luta política por melhorias. A proposta para uma pinguela crítica foi adotada pela Secretaria de Periferias/MCidades, com obras iniciadas em 2025.


Seminário avançado de narrativas curatoriais – Por trás das mapotecas: o acervo npd pela curadoria dos estudantes da FAU UFRJ (Menção Honrosa)

Categoria: Práticas em ensino-aprendizagem

Autores: Guilherme Maria Cristina Cabral; Marcio Cotrim; Fernando Araújo; Tomás Urgal

Síntese do trabalho: Narrativas Curatoriais é uma experiência pedagógica com alunos de graduação do ciclo avançado da FAU UFRJ, com o objetivo de formá-los nas diversas atividades relacionadas às práticas expositivas: pesquisa, curadoria, expografia, montagem, visitas guiadas e catálogo.  A partir do acervo do NPD, os estudantes puderam executar todas as atividades dessa prática profissional na exposição “Por trás das Mapotecas”. O objetivo central foi fomentar a aproximação entre formação e acervo, a partir de duas ênfases complementares: a pesquisa em acervos de arquitetura e as narrativas conceituais possíveis.


Direito à água em Duque de Caxias: alternativas sustentáveis de acesso à água em São Bento (Menção Honrosa)

Categoria: Extensão Universitária e Interação Comunitária

Autores: Jorge Nassar Fleury e Ana Lucia Britto

Equipe: Maria Carolina de Faria Sacramento; Mylena Rodrigues Rocha; Alanis Oliveira Macedo; Ana Paula Paladino; Ellis Vieira Alves Teixeira; Larissa Camara Basile; Anna Clara de Souza Sa Ferreira; Isabella Teixeira Linhares; Augusto Cesar Franco da Silva Junior; Gabrielly da Silva Tuffani

Síntese do trabalho: Voltado para a melhoria do acesso à água em Duque de Caxias em áreas de vulnerabilidade, a ação de extensão objetivou a idealização, execução, construção e instalação de cisternas verticais de captação e armazenamento de águas pluviais nas comunidades de Vila Alzira e Novo São Bento. Este território apresenta conexão informal com a rede de abastecimento de água apresentando intermitência e problemas com a qualidade da água. Para as execuções e instalações foram capacitadas 12 mulheres moradoras locais. O projeto está em fase de relatórios finais e início em novo território.


Nos trilhos do Rio (Menção Honrosa)

Categoria: Extensão Universitária e Interação Comunitária

Autores: Luísa Gonçalves e Diogo Bugalho

Equipe: Mariana Moreira de Souza, Rayssa Gomes Moreira, Fabio Eduardo Costa de Souza, Carolina Henriques Gonçalves

Síntese do trabalho: O projeto de extensão “Arquitetura sobre trilhos”, analisa a arquitetura e o desenho urbano das estações de transporte, entendendo-as como partes essenciais do cotidiano urbano. A pesquisa se desenvolve a partir de projetos, entrevistas e estudos bibliográficos, que embasaram a produção do boletim informativo “Nos trilhos do Rio”, veiculado na Rádio UFRJ. O boletim visa comunicar como a rede metroferroviária fluminense evoluiu e discutir alternativas para seu aprimoramento. A extensão busca difundir o conhecimento sobre arquitetura e mobilidade urbana, através das estações de transporte.


A universidade pública e a habitação social: trinta anos de uma experiência de ensino na escola de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal Fluminense (Premiado)

Categoria: Práticas em Ensino-Aprendizagem

Autores: Gerônimo Leitão, Ronaldo Brilhante e Honorio Magalhães Neto

Síntese do trabalho: O trabalho apresentado traz as experiências no campo de ensino de Projeto de Habitação de Interesse social da Escola de Arquitetura e Urbanismo na UFF, em Niterói, Rio de Janeiro – ao longo de trinta anos. Desse modo, são apresentados projetos de urbanização de assentamentos informais, de conjuntos de habitação social em vazios urbanos e requalificação de imóveis públicos abandonados para fins habitacionais. Por último, pretende-se também contribuir para uma reflexão sobre o papel da Universidade Pública na busca por soluções de moradia para os segmentos mais pobres da população brasileira.


Direito à moradia e qualificação profissional em Athis (Premiado)

Categoria: Extensão Universitária e Interação Comunitária

Autor: Ronaldo de Moraes Brilhante

Síntese do trabalho: Desde o ano de 2015 a OPPHUS tem prestado apoio técnico a diversos grupos sociais e famílias em hipossuficiência que demandam por assessoria técnica para elaboração de projetos arquitetônicos voltados à promoção de melhorias habitacionais. Ao longo desse processo foram estabelecidos inúmeros laços com representantes de movimentos sociais organizados que se constituíram como parceiros em diversas frentes de ação que em muito tem contribuído para o desenvolvimento de metodologias e projetos em benefício às lutas por moradia digna no Estado do Rio de Janeiro.


Eixo Fotografia de Arquitetura

Cadeira de madeira da série “Galhos” (Menção Honrosa)

Categoria: Fotografia de Interiores

Autor: Victor Lucena

Síntese do trabalho: A fotografia da cadeira da série “Galhos”, de Pedro Ávila, ressalta a relação direta entre a produção artesanal e o olhar humano. Feita a partir de galhos e superfícies irregulares, a peça carrega as marcas do fazer manual, onde cada gesto se transforma em forma. A luz natural atravessa a cena a partir da silhueta humana em primeiro plano, criando um jogo de enquadramento que sugere o próprio ato de ver e estabelece um elo entre observador e objeto. Mais do que um registro da peça, a imagem busca traduzir visualmente a linguagem do designer, evidenciando a poética do trabalho artesanal.


MAPS, São Paulo, Brasil (Menção Honrosa)

Categoria: Fotografia de Edificações

Autor: Pedro Kok

Síntese do trabalho: O trio fotográfico do Museu de Arte de São Paulo e de seu novo Anexo busca aproximar os aspectos canônicos da fotografia de arquitetura dos elementos fortuitos presentes na fotografia documental de rua. A fotografia de arquitetura tem como prática habitual a rigidez formal, intencionalmente dotada de clareza e que, em larga medida, busca resolver-se por meio da representação do objeto arquitetônico. Ao trazer elementos acidentais e inesperados, cuja presença na imagem pode até ser antagônica aos objetivos listados acima, novos entendimentos podem surgir sobre a edificação ali apresentada.


Memorial de Brumadinho (Menção Honrosa)

Categoria: Fotografia de Edificação

Autor: Pedro Nakata Mascaro

Síntese do trabalho: O Memorial de Brumadinho é um espaço dedicado às vítimas fatais do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), e à reflexão sobre a tragédia ocorrida em 2019.

O projeto, construído no local do rompimento, é assinado pelo escritório Gustavo Penna Arquitetos Associados. As fotografias foram realizadas em fevereiro de 2025.


Ainda Pacaembu (Menção Honrosa)

Categoria: Fotografia de Edificação

Autor: Yghor Boy Carlos de Lacerda

Síntese do trabalho: As fotos foram feitas em três momentos de três dias distintos, mostrando três diferentes ângulos da relação do Estádio Paulo Machado de Carvalho, atual Mercado Livre Arena Pacaembu, com o entorno. Implantado em um vale e cercado por morros, o estádio mantém uma presença marcante no bairro que leva seu nome — uma região pouco verticalizada, onde o horizonte e o verde permanecem como parte da paisagem. Já ao redor, em direção ao centro e a outros bairros que se projetam na paisagem, o entorno revela outra escala, marcada por edifícios altos e ritmo urbano mais intenso.

As imagens procuram evidenciar essa transição, observando como o estádio se insere entre o bairro e a cidade. O enquadramento alterna distâncias e direções, destacando a volumetria e a textura da construção em contraste com as formas vizinhas. Mais do que documentar uma reforma, o ensaio busca refletir sobre a presença arquitetônica do Pacaembu em meio à transformação do seu entorno — um ponto de tensão entre permanência e mudança, memória e contemporaneidade.


Arquitetura da imersão (Premiado)

Categoria: Fotografia de Interiores

Autor: Mateus Tuyama

Síntese do trabalho: A Galeria Miguel Rio Branco, projeto de Arquitetos Associados, faz da arquitetura um meio expressivo, capaz de transformar o ato de ver em imersão sensorial. O espaço, ao invés de enquadrar a arte, a amplifica. Entre luz e escuridão, o visitante torna-se personagem, habitando um cenário onde a própria percepção é matéria de criação.

O volume escuro da parede, a textura do piso e a geometria silenciosa da escada por trás do painel translúcido compõem uma cenografia precisa, que organiza o percurso e dita o ritmo da contemplação. A luz, filtrada e rarefeita, assume papel protagonista que desenha o espaço, revela a obra de arte exposta e a destaca na penumbra.

No encontro entre obra e arquitetura, forma-se uma atmosfera de imersão. O visitante não apenas observa como também é absorvido pela espacialidade construída, pelo contraste entre o peso da sombra e a leveza do plano luminoso no qual tudo o que o cerca se transforma em parte da narrativa visual.


Drop no CAFF: um sonho realizado e um ícone modernista ressignificado (Premiado)

Categoria: Fotografia de Edificação

Autor: Gabriel Guerra Konrath

Síntese do trabalho: Durante décadas, o Edifício CAFF ocupou o imaginário dos porto-alegrenses com sua forma inconfundível. Popularmente chamado de “prédio rampa”, ele era mais do que um edifício icônico do modernismo gaúcho — era um convite ao devaneio. A cada olhar à sua fachada curvada, alguém, em algum momento, sonhou descer por ela de skate.

Em 2025, esse sonho coletivo atravessou o limite da imaginação e se tornou realidade com o Building Drop, projeto da Red Bull idealizado e protagonizado por Sandro Dias. A maior rampa do mundo transformou o edifício em palco de um feito histórico — uma síntese entre arquitetura, ousadia e memória afetiva.

As fotografias registram esse instante em que o ícone modernista deixa de ser apenas paisagem e se torna performance, emoção e símbolo de pertencimento. Mais do que o evento em si, o que permanece é o encontro entre o sonho e o concreto. Um momento em que a cidade inteira desceu junto, em pensamento, a curva do CAFF.


Nas paredes da memória: a fotografia como instrumento de combate ao esquecimento (Premiado)

Categoria: Fotografia de Cidade

Autor: Gabriel Guerra Konrath

Síntese do trabalho: Entre o final de abril e o início de maio de 2024, chuvas extraordinárias provocaram enchentes históricas no RS. Inundações, transbordamentos e deslizamentos atingiram quase todo o estado, afetando mais de 2,4 milhões de pessoas; cerca de 442 mil tiveram de deixar suas casas. Foi a maior catástrofe da história do estado e uma das maiores do Brasil.

Em Porto Alegre, o Guaíba superou a marca histórica de 1941, provocando um estrago ainda maior. Infelizmente os registros e os alertas não foram suficientes para conscientizar as autoridades que negligenciaram a manutenção de diques, comportas e estações de bombeamento; impactando diretamente na dimensão da catástrofe.

Um ano e meio depois, a água que antes tomava as ruas do centro, dá lugar às marcas que carregam o peso da catástrofe. Parafraseando Belchior, “Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais”.

Com o tempo, as evidências físicas se apagam, as lembranças individuais se perdem e, com elas, os pedaços da nossa história; colocando em risco as próximas gerações.

É desse horizonte que nasce Nas Paredes da Memória: registros fotográficos do Centro Histórico de Porto Alegre que, pela potência sublime de imagens de lugares icônicos submersos, buscam preservar a memória coletiva da catástrofe e conscientizar a população para que a história não se repita.

“Lembrar, cada vez mais, não é recordar uma história, e sim ser capaz de evocar uma imagem.” — Susan Sontag (2003).

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