IAB anuncia vencedores da Premiação Nacional e destaca projetos do Rio de Janeiro

O IAB anunciou, no dia 19 de abril, os vencedores da Premiação Nacional do IAB 2025. Entre os trabalhos premiados, três com origem no Rio de Janeiro se destacam, após terem sido reconhecidos previamente na etapa estadual e selecionados para a fase nacional.

Os trabalhos “Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói”, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura de Niterói, com autoria de Renato Barandier e Fabrício Arriaga; e “Pedra Lisa – Projeto urbano na primeira favela do Brasil”, de Roberto Cruz Saavedra, foram premiados no Eixo III – Urbanismo, Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades.

O Eixo V – Práticas Pedagógicas contou com cinco vencedores, entre eles o trabalho “Direito à moradia e qualificação profissional em ATHIS”, de autoria do professor Ronaldo de Moraes Brilhante.

A Premiação do IAB, desde 2021, passou a ter caráter nacional articulado em duas etapas: departamental e nacional, reafirmando seu papel como instrumento de leitura crítica da produção contemporânea brasileira. Em 2025, o prêmio incorporou como eixo transversal o tema “Emergências Climáticas”, sinalizando a centralidade das questões socioambientais na prática profissional.

63ª Premiação IAB RJ

Os projetos do Rio de Janeiro premiados nacionalmente foram previamente reconhecidos na etapa departamental promovida pelo IAB RJ. Com 151 trabalhos inscritos e 132 homologados, a premiação foi distribuída em seis eixos: Edificações; Arquitetura de Interiores e Design; Urbanismo, Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades; Cultura Arquitetônica; Práticas Pedagógicas; e Fotografia de Arquitetura.

Os vencedores foram anunciados no dia 11 de dezembro, durante a Festa Anual do Departamento, que celebrou também o Dia Nacional do Arquiteto e Urbanista, comemorado no dia 15 de dezembro.

63ª Premiação IAB RJ celebra produção arquitetônica fluminense

Confira, abaixo, mais informações dos projetos do Rio de Janeiro premiados pelo IAB. A lista completa dos vencedores está disponível no site da Direção Nacional (clique aqui).

Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói

Por quase cinco décadas, o Centro de Niterói viveu um processo de esvaziamento urbano após a perda da condição de capital do antigo Estado do Rio de Janeiro e a inauguração da Ponte Rio-Niterói. O avanço da urbanização rodoviarista e a conversão de imóveis e áreas vazias em estacionamentos corroeram o espaço público e interromperam a relação histórica entre a cidade e o mar.


O projeto Revitalização da Orla Centro propõe uma reconciliação física e simbólica entre cidade e baía, reconfigurando um território antes degradado em um ambiente de mobilidade sustentável, vida urbana e inclusão social. A operação combina infraestrutura, habitação, paisagem e cultura em um sistema contínuo de espaços públicos que devolve à cidade sua frente marítima e sua centralidade.


A transformação abrange 2,5 km de orla e 500 mil m² de área requalificada, conectando o Caminho Niemeyer, a Praça Arariboia e o Parque Esportivo Municipal em um grande parque linear costeiro. Essa rearticulação urbana restabelece a visada para a Baía de Guanabara e integra os principais terminais metropolitanos de transporte, incluindo o sistema de barcas e o Terminal João Goulart, por onde circulam mais de 300 mil pessoas diariamente. A nova Praça Arariboia, implantada onde havia imóveis abandonados e um estacionamento, tornou-se o principal portal da mobilidade da cidade — um espaço de encontro entre o mar, o transporte e a cidadania.


A Av. Visconde do Rio Branco, eixo central da intervenção, foi totalmente reurbanizada segundo o conceito de Ruas Completas, priorizando pedestres, ciclistas e transporte coletivo. O novo corredor de ônibus, o Terminal Sul ampliado e as estações de design transparente materializam a integração entre transporte e paisagem. A restrição de 1.400 vagas de estacionamentos privados e a redução de 26% dos espaços públicos destinados ao automóvel reverteram a lógica rodoviarista, permitindo destinar solo a modos ativos e à convivência urbana.


Do ponto de vista habitacional, o PEUC do Aterrado Norte redefine o papel dos vazios centrais, transformando-os em instrumentos de concretização do direito à cidade e da moradia digna. Mais de 68 mil m² de áreas antes ocupadas por estacionamentos passam a cumprir sua função social, com 4.250 moradias adequadas e acessíveis licenciadas e 3 mil em construção, inseridas no maior polo de oportunidades urbanas do Leste Metropolitano. O conjunto segue os princípios de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD), aproximando moradia, trabalho e serviços, e induzindo a transição de um modelo disperso e dependente do automóvel para uma cidade compacta, acessível e de baixas emissões.


Os ganhos ambientais são expressivos: a ampliação de 47% das áreas verdes — de 14.735 m² para 21.593 m² — e o plantio de 357 árvores melhoraram o microclima e a drenagem urbana, enquanto a ampliação de calçadas e travessias seguras promoveu conforto térmico e segurança viária. A iluminação de alta eficiência e o mobiliário permeável visualmente reforçam a sensação de transparência e pertencimento, estimulando o uso noturno e contínuo dos espaços públicos.


Mais do que uma requalificação, a intervenção estabelece um novo paradigma de planejamento urbano para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, articulando transporte, habitação e sustentabilidade sob um mesmo desenho urbano.


Alinhado ao Plano Estratégico Niterói 2033, ao Plano Diretor e ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, o projeto consolida uma mudança estrutural nas políticas urbanas de Niterói, redefinindo os padrões de deslocamento e moradia adequada de forma duradoura e coerente com a visão de futuro da cidade, garantindo benefícios permanentes para as gerações presentes e futuras.


Suas transformações pavimentam o caminho para uma cidade mais equitativa, resiliente e sustentável, onde as próximas gerações herdarão não apenas uma nova paisagem, mas um novo modo de viver, se deslocar e habitar — uma cidade que volta a se orientar pelas pessoas, e não pelos automóveis.

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025

🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades

Cidade/UF: RJ
Ano do projeto: 2021
Ano de conclusão da obra: 2025

Eixo / Categoria: Eixo 3 / Infraestrutura verde urbana
Modalidade: Projeto com obra executada

Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura de Niterói
https://niteroi.rj.gov.br/

Autoria:
Renato Barandier (arquiteto e urbanista, Secretário Municipal de Mobilidade e Infraestrutura), Fabrício Arriaga (arquiteto e urbanista, subsecretário de Desenvolvimento Urbano)

Demais membros da equipe principal:
Dayse Monassa (arquiteta e urbanista, secretária municipal de conservação), Betina Araújo (arquiteta e urbanista, subsecretária de desenvolvimento urbano), Fernanda Carvalho (arquiteta e urbanista, subsecretária de urbanismo), Paula Viana (arquiteta e urbanista, diretora de parcelamento do solo)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Burle Marx Escritório de Paisagismo (projeto de paisagismo), Joaquim Andrade Arquitetos Associados (projeto de parcelamento do solo), Guto Índio da Costa (projeto de mobiliário urbano), Serpen Servicos e Projetos de Engenharia Ltda. (projeto geométrico), Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói – ION (coordenação das obras)

Crédito das imagens:
Fabrício Arriaga

Pedra Lisa – Projeto urbano na primeira favela do Brasil

O projeto Pedra Lisa é uma intervenção de requalificação urbana desenvolvida no Morro da Providência, primeira favela do Brasil e marco histórico da cidade do Rio de Janeiro. Localizada na área central, a comunidade da Pedra Lisa se formou sobre uma antiga pedreira, entre a Supervia e o VLT, a poucos metros da Central do Brasil. Apesar da localização privilegiada, o território permaneceu por décadas esquecido, com infraestrutura precária, ausência de áreas de convivência e sérios problemas de saneamento e drenagem.


A proposta nasce da atuação da ONG Entre o Céu e a Favela, em parceria com o arquiteto Roberto Cruz Saavedra, com o objetivo de transformar um espaço degradado em um ambiente seguro, saudável e inclusivo, a partir dos princípios da arquitetura social e do urbanismo tático. O projeto foi dividido em duas etapas integradas — a Praça e os Becos — com soluções articuladas de infraestrutura, saneamento, drenagem, iluminação, acessibilidade e identidade urbana.


Na Praça da Pedra Lisa, centro simbólico e afetivo da intervenção, foram resolvidos problemas históricos de infiltração e alagamento. O antigo piso de concreto, fragmentado e danificado, foi substituído por piso drenante, tecnologia sustentável que permite o escoamento eficiente das águas pluviais e melhora o conforto térmico. Essa solução tecnológica foi acompanhada da reforma completa das redes de esgoto e água, eliminando vazamentos e focos de contaminação.


A praça também recebeu bancos de concreto, mesa de pingue-pongue revitalizada, pergolados metálicos com cobertura translúcida em policarbonato e iluminação com sensor de fotocélula, garantindo conforto, segurança e uso noturno.


O novo espaço passou a ser amplamente ocupado por crianças, que agora têm um lugar seguro para brincar e conviver, e por famílias que utilizam o local para encontros e atividades comunitárias — uma mudança profunda no modo como a praça é vivida e cuidada.


Nos Becos da Pedra Lisa, a intervenção avançou sobre um dos maiores desafios do território: o saneamento e a mobilidade em áreas íngremes. Foram implantadas novas redes de esgoto e abastecimento, nivelamento e pavimentação dos passeios, corrimãos e iluminação em LED, ampliando as condições de acessibilidade e segurança. As fachadas foram revitalizadas e grafitadas, promovendo identidade e autoestima entre os moradores. Um ponto essencial foi a remoção e descarte de cabos elétricos irregulares e fora de uso, medida que reduziu o risco de acidentes, melhorou a paisagem e diminuiu a poluição visual e ambiental — um cuidado técnico e estético que valoriza o espaço público.


O Bar da Aureni, tradicional ponto de encontro da comunidade, foi revitalizado com novo piso, pintura, mobiliário e iluminação, fortalecendo seu papel como espaço de convivência e cultura local. Já a entrada da Pedra Lisa recebeu um letreiro de identificação, símbolo de pertencimento e orgulho, que além de marcar visualmente o território, possibilitou o reconhecimento da comunidade pelos serviços postais e públicos, garantindo um direito básico antes negado aos moradores.


Um dos pilares do projeto foi a contratação de mão de obra local, composta integralmente por moradores da Providência. Essa escolha, mais do que gerar renda, consolidou um modelo participativo de construção coletiva, onde os próprios habitantes se tornaram protagonistas da transformação de seu território. O canteiro de obras se tornou também um espaço de aprendizado e colaboração, fortalecendo vínculos e estimulando o cuidado com o espaço público.


O Pedra Lisa reafirma o potencial transformador da arquitetura social e das intervenções urbanas estratégicas. A partir de soluções simples, sustentáveis e tecnicamente eficientes, o projeto promove resiliência ambiental, equidade territorial e justiça socioambiental, demonstrando como pequenas ações, quando guiadas pelo diálogo e pela escuta comunitária, podem redesenhar a cidade de forma mais humana, justa e sustentável.

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025

🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades

Cidade/UF: RJ
Ano do projeto: 2023
Ano de conclusão da obra: 2024

Eixo / Categoria: Eixo 3 / Intervenções urbanas estratégicas
Modalidade: Projeto com obra executada

Roberto Cruz Saavedra

Autoria:
Roberto Cruz Saavedra

Demais membros da equipe principal:
Thaís Stefano (Arquiteta colaboradora)
Ruth Vieira (Arquiteta colaboradora)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Gerando Falcões (ONG Idealizadora)
Entre o Céu e a Favela (ONG Realizadora)
Arte Urbana (Visionartz)

Crédito das imagens:
Não informado pelo autor

Direito à moradia e qualificação profissional em ATHIS

Em 24 de dezembro de 2008, foi sancionado o projeto de lei Nº 11.888, que “assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação e urbanização de interesse social, como parte integrante do direito social à moradia previsto no artigo 6º da Constituição Federal”. Foi pensando no papel da produção acadêmica para o fortalecimento de iniciativas como essa que foi constituído, em maio de 2015, o grupo de pesquisa e extensão universitária Oficina de Pesquisa e Projeto em Habitação e Urbanização Social (OPPHUS), no âmbito da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (EAU UFF).

As atividades desenvolvidas se constituem a partir da interação entre professores e estudantes de graduação, em particular da disciplina de Projeto de Habitação de Interesse Social (EAU UFF), e pós-graduação numa equipe pluridisciplinar que relaciona de modo interdependente arquitetura e urbanismo, desenho industrial, pedagogia, serviço social, direito, engenharia civil e de produção. De modo geral, objetiva-se o desenvolvimento de metodologias participativas que visam beneficiar uma maior aproximação entre os saberes populares e técnicos, no intuito de produzir soluções construtivas satisfatórias para a promoção da melhoria das condições de habitabilidade.

As atividades têm se concentrado na elaboração de projetos habitacionais e na instrução de processos para o Programa Minha Casa Minha Vida _ Entidades (fase de habilitação); além de propostas que tem colaborado para demandas referentes à estabilidade estrutural, a melhoria de quadros de insalubridade, ao conforto térmico, à acessibilidade e à redução do consumo de energia. No decorrer dos anos percebemos a necessidade de expandir nossos campos de ação, através de propostas que tem beneficiado uma maior conscientização política dos movimentos sociais vinculados à luta pela moradia; bem como temos atuado no sentido de promover modos de qualificação profissional atentos à geração de renda. Por esses meandros, a Oficina tem se empenhado na disseminação de técnicas e tecnologias construtivas tradicionais voltadas à redução de custos e impactos ambientais através da adoção de materiais construtivos alternativos que nos últimos anos vem passando por processos de normatização técnica, como é o caso do adobe, do bambu e dos tijolos de solo-cimento.

Consideramos necessário que haja, em todos os momentos históricos que demarcam a de luta pela moradia, uma maior conscientização política dos movimentos sociais _ sujeitos desses processos _ em relação às práticas interdisciplinares que sustentam os assessoramentos. Além disso, é fundamental que sejam estabelecidos canais de veiculação daquilo que se pratica de modo que a sociedade compreenda a importância dessas ações. Nesse sentido, temos investido na elaboração de meios de veiculação das práticas em curso em mídias sociais, o que acreditamos ser capaz de proporcionar um reconhecimento amplo e didático às comunidades internas e externas em relação ao que temos realizado.

Entre os anos de 2024 e 2025 a OPPHUS contou com recursos provindos de emenda parlamentar que foram aplicados no pagamento de bolsas e para a constituição física e de equipamentos do Canteiro Escola da UFF que se vincula às assessorias técnicas produzindo mobiliários, elementos e protótipos arquitetônicos para áreas de uso coletivo. Esse aporte de recursos permitiu o atendimento para as múltiplas demandas que foram apresentadas à oficina no decorrer desses anos, em particular destacamos os seguintes projetos habitacionais: Quilombo Urbano Ferreira Diniz (Glória/RJ); Ecovila Maricá (Ipiiba/Maricá); Projeto Habitacional Almirante João Cândido (Santa Cruz/RJ).

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025

🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 5 – práticas pedagógicas

Cidade/UF: RJ
Ano do projeto: 2023
Ano de conclusão da obra: 2025

Eixo / Categoria: Eixo 5 / Práticas em ensino-aprendizagem
Modalidade: Produção acadêmica, científica ou editorial

Professor Ronaldo de Moraes Brilhante
https://opphuseau.uff.br/

Autoria:
Professor Ronaldo de Moraes Brilhante

Demais membros da equipe principal:
Equipe de Arquitetura e Engenharia
Prof. Ivan Xavier (EAU UFF)
Prof. Osvaldo Luiz de Carvalho (EAU UFF)
Profa. Ana Carmen Jara (EAU UFF)
Profa. Andrea Sampaio (EAU UFF)
Prof. Gabriel Fernandes (Design UFF)

AUXILIAR ADMINISTRATIVA
PROFA. SUZANNY BARRETO

FISCAL
PROFA. ADRIANA CAÚLA

EQUIPE JURÍDICA
PROFA. CRISTIANA VERAS (DIREITO UFF)
PROF. EDUARDO TAVARES (DIREITO UFF)
SIMONE ALVES RODRIGUES
LOURENÇO DUQUE-ESTRADA

BOLSISTAS EM PÓS-GRADUAÇÃO
ANA CAROLINA MACHADO (ARQ)
LESLIE LORETO (ARQ)
ISADORA AMORIM (ENG PROD.)

BOLSISTAS DE GRADUAÇÃO
ARQUITETURA
LUIZA GUALBERTO
LUANA BEVICTORI
CARLOS VASCONCELLOS
MARIA CLARA BRANT
SERVIÇO SOCIAL
SANEY LUZIA DE SOUZA
DESENHO INDUSTRIAL
MAYANNE FERNANDES

BOLSISTA DE ENSINO MÉDIO
VICTOR HUGO SALVADOR

VOLUNTÁRIAS(OS)
PATRÍCIA BRANDÃO
ISADORA LUANA MOITA
MONALIZA DE SOUZA
ALFREDO DA LUZ
FELIPE NIN

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
GABINETE DO DEPUTADO REIMONT LUIZ OTONI SANTA BÁRBARA
FUNDAÇÃO EUCLIDES DA CUNHA
FUNDAÇÃO FORD

Crédito das imagens:
Acervo próprio

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