A decisão, tomada durante a 111ª reunião do colegiado em Brasília, amplia a área protegida, incorpora novas unidades fabris históricas e redefine limites de preservação, adotando uma leitura mais abrangente e contemporânea do território.
A revisão foi proposta para atualizar critérios de proteção, corrigir lacunas técnicas e fortalecer o reconhecimento cultural da cidade, cuja paisagem urbana é marcada pela interação entre natureza, arquitetura e memória.
A relatoria do processo ficou a cargo da conselheira Tânia Nunes Galvão Verri, que conduziu as análises técnicas, visitas de campo e a sistematização dos estudos. A elaboração do parecer contou com colaboração direta dos arquitetos e urbanistas Noemia Barradas, Adriano Gomes, Flávia Brito e Nivaldo Andrade.
Segundo Verri, a rerratificação corrige distorções acumuladas ao longo de décadas e reflete o entendimento atual do Iphan sobre preservação urbana. “Na comparação entre a situação atual e a proposta apresentada, a ampliação da área tombada consolida a relevância do trecho que já estava sob a jurisdição do Iphan, deixando de ser mera área de entorno para se tornar o próprio valor preservado. Além disso, é importante destacar que nenhum imóvel tombado foi suprimido nesta revisão”, disse a conselheira relatora do processo, Tânia Nunes Galvão Verri.
O processo de rerratificação do tombamento propõem a intitulação da matéria para “Conjunto Urbano-Paisagístico e Unidades Fabris de Petrópolis”, incorporando trechos de encostas com Mata Atlântica, elementos do Complexo Fabril de Cascatinha (como chaminé, pavilhões fabris, estação ferroviária e pontes), a ampliação da Vila Operária da antiga Fábrica de Tecidos Cometa e a redefinição dos limites de proteção das Casas Djanira, Ana Mayworm e da Rua Cardoso Fontes.
A manutenção dos trechos de rios na poligonal do tombamento, reivindicação debatida na Câmara Setorial de Patrimônio Material, foi também aprovada após parecer técnico favorável. A escolha reafirma o papel dos cursos d’água como elementos estruturantes do tecido urbano de Petrópolis, conforme previsto desde o Plano Koeler.
O processo de revisão ganhou densidade a partir de extenso trabalho técnico que envolveu diferentes instituições, pesquisas acadêmicas e sete apresentações públicas realizadas em Petrópolis, com ampla participação da sociedade civil. A relatoria destacou, inclusive, como os recentes episódios climáticos extremos, a exemplo dos deslizamentos de 2022, evidenciam a necessidade de compreender o território a partir de sua paisagem, associando preservação a resiliência urbana
Com a aprovação do parecer, o conjunto passará a integrar o Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico sob a nova denominação, consolidando um dos mais relevantes conjuntos urbanos tombados do país e atualizando o modo como o patrimônio petropolitano deve ser protegido no século XXI.