Primeiro dia do Salão Rio de Interiores debate práticas ambientais e seu impacto no mercado de arquitetura e design de interiores

A 3ª edição do Salão Rio de Interiores começou nesta terça-feira (26), na sede do IAB RJ, reunindo mais de 30 marcas parceiras, instituições setoriais e profissionais do segmento de arquitetura e design de interiores para troca de experiências e debates em múltiplas frentes sobre o tema “Confluência dos Saberes”.

A abertura foi conduzida por Marcela Abla, presidente do IAB RJ e Sonia Lopes, presidente da AsBEA/RJ, que deram as boas-vindas, explicando a necessidade desse mergulho nos pilares do ESG (Environmental, Social, Governance) que redefinem a prática profissional contemporânea. Participaram também na mesa de abertura o vice-presidente de Relações Institucionais do CAU/RJ, Anibal Sabrosa, a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, e do secretário de Urbanismo de Niterói, Carlos Krykhtine.

A primeira palestra do dia, voltado para Práticas Ambientais, contou com a mediação do arquiteto, urbanista e professor Fernando Minto, e teve início com a apresentação de Filipe Boni e Sami Meira sobre a experiência da UGreen em ajudar profissionais e marcas a evoluírem rumo à sustentabilidade por meio de educação e consultorias. Embasados em dados de uma pesquisa recente, ressaltam que um novo mercado surge, no qual observou-se um aumento médio de 45% na escolha por designs biofílicos, num cenário em que 70% das pessoas buscam soluções integradas com eficiência e tecnologia, e já se chega a um índice de 55% mais escolhas por materiais sustentáveis verificados. Porém, segundo eles, nem sempre essa demanda está efetivamente se transformando em negócios, porque o mercado de construção brasileiro ainda não está preparado para atendê-la. Foi desse insight que entenderam a necessidade de fornecer as ferramentas para que as empresas possam alcançar esses objetivos e entenderem, como bem finaliza Sami, que “sustentabilidade não é cobertura do bolo. É o bolo”.

Na sequência, o arquiteto, urbanista, professor e pesquisador Igor de Vetyemy, trouxe para o público seu olhar único sobre os povos indígenas em seu trabalho na Comissão dos Povos Indígenas da União Internacional de Arquitetos (UIA), órgão consultivo da UNESCO para assuntos relacionados ao habitat e à qualidade do espaço construído. Com mais de uma década acompanhando povos por todos Brasil, ele destacou cinco breves lições de arquitetura indígena:

– organização territorial não-hierárquica, uma vez que atuam com uma lógica circular na qual não existe um lugar mais importante na comunidade, a não ser o centro para uso coletivo;

– diversidade e adaptabilidade, técnicas que os povos desenvolvem de acordo com o local onde estão habitando;

– materialidade, uso de materiais que auxiliam nas questões de funcionalidade das moradias;

– retirada, consumo e descarte, mostrando como é possível fazer um ciclo diferente do que são realizados hoje;

– arquitetura: atividade coletiva

E é essa última lição que Igor reforça ser a mais importante nesse legado indígena, “na realidade, todos são arquitetos na aldeia e todos trabalham juntos”.

Seguindo na temática práticas sustentáveis, o segundo painel recebeu o designer Croata naturalizado Brasileiro Marko Brajovic, fundador e diretor criativo do Atelier Marko Brajovic, com mediação de Fernando Mungioli. Partindo da premissa que a capacidade criativa e a cognitiva estão conectadas aos sentidos, Marko usou o case de um revestimento desenvolvido por ele para transcorrer por todo processo criativo que o fez partir da integração sensorial para chegar a uma linha inspirada nos biomas brasileiros. Segundo sua proposta, quanto mais estimulados os sentidos em ambientes diversos, melhor será a resposta do ser humano quanto a percepção do ambiente externo e do bem-estar. “Os espaços influem na saúde mental, por isso que a proximidade com os sentidos é fundamental para a qualidade de vida”, explica.

Segundo ele, hoje vivemos numa biodiversidade urbana, enfrentando os efeitos de uma urbanização que na maioria das vezes não acontece de forma sustentável. Nesse contexto, a biofilia se destaca como uma forma de “se conectar com a vida, com a natureza”. Mais do que isso, a biomimética vem agregar com seu olhar científico para essa natureza, buscando imitar estratégias e padrões que possam desenvolver soluções sustentáveis na arquitetura. “Nossa maior inspiração é a natureza, um arquiteto com mais de 4 bilhões de anos que está sempre se adaptando e evoluindo”, finaliza.

Além dos painéis apresentados pela curadoria do SRI, a tarde da terça-feira ofereceu ainda um conteúdo exclusivo patrocinado pela Ornare. Mediada por Celso Rayol, a palestra “Sustentabilidade e Conexões que Transformam”, apresentou visões e práticas no universo ESG, com a participação de Caroline Martins, presidente do Programa Aproxima, Lourenço Gimenes, sócio-fundador do escritório de arquitetura FGMF, Ana Flávia Canedo Oliveira Montrezol, sócia-diretora da OM Incorporadora, e Thalita Ribeiro, Head Comercial do Ilha Pura, empreendimento desenvolvido em parceria com o BTG Pactual.

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