O projeto “Casa de Mainha”, assinado pelo Studio Zé, foi um dos vencedores do 17º Prêmio ArchDaily Building of the Year. A reforma residencial, localizada em Feira Nova, no agreste pernambucano, foi o único projeto brasileiro premiado desta edição. O anúncio dos vencedores ocorreu no dia 19 de fevereiro.
A “Casa de Mainha” é também a residência onde cresceu o arquiteto e urbanista Zé Vagner, autor do projeto. A obra consistiu na reforma parcial do imóvel, construído em adobe na década de 1980 pelos próprios pais do arquiteto. Com recursos financeiros limitados, a intervenção concentrou-se na fachada e nos ambientes sociais, preservando as paredes originais e melhorando o desempenho térmico da edificação. A principal solução arquitetônica foi o aumento do pé-direito em um dos trechos, criando uma cobertura em dois níveis que favorece a ventilação natural por meio de uma linha de cobogós voltada à fachada poente.
O projeto adota princípios construtivos inspirados nas diretrizes formuladas por Armando de Holanda, com o uso predominante de materiais naturais e locais, ventilação cruzada, iluminação natural e soluções compatíveis com mão de obra pouco especializada. A execução envolveu uma equipe reduzida, formada por um ceramista, um pedreiro e um ajudante, reforçando o compromisso com a viabilidade técnica e econômica.
O prêmio reforça o reconhecimento internacional de uma intervenção de pequena escala, baseada em soluções construtivas simples, baixo custo e valorização dos saberes locais. O projeto já havia sido premiado pelo Departamento Pernambuco do IAB em dezembro de 2025, na categoria Edificações, e segue agora na disputa nacional da premiação, com resultado previsto para março.
Segundo o júri do IAB PE, o trabalho se destaca por reconhecer valores existentes e atuar com precisão e sensibilidade: “A proposta revela uma postura profissional atenta aos desafios de enfrentar as limitações impostas pela escassez de meios, evitando soluções formais autorreferenciadas e priorizando respostas sensíveis ao contexto”, destacou o parecer, que também ressaltou o impacto sociocultural da intervenção e seu potencial transformador sobre o entorno imediato.
Para Zé Vagner, o reconhecimento internacional reforça uma lição essencial da prática arquitetônica. “Se a gente puder trazer uma lição, é que dá para fazer arquitetura com pouco. E uma arquitetura boa, que atende às necessidades de quem mora lá”, afirmou em entrevista ao G1.
A conquista evidencia o alcance global de uma arquitetura comprometida com o contexto social, cultural e climático, demonstrando que intervenções precisas e fundamentadas no território podem alcançar relevância internacional sem depender de grandes orçamentos ou gestos monumentais.











Crédito das fotos: Hélder Santana